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Burocracia pode afetar Brasil no acesso à vacina da covid, dizem deputados

22.mai.2020 - Manaus, Amazonas: índios recebem vacina contra a gripe; aqueles com sintomas de covid-19 também fazem teste - Sandro Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo
22.mai.2020 - Manaus, Amazonas: índios recebem vacina contra a gripe; aqueles com sintomas de covid-19 também fazem teste Imagem: Sandro Pereira/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

27/05/2020 19h01

A burocracia para importar produtos de pesquisa e o fato de o Brasil não ter sido convidado para a iniciativa global de produção da vacina contra a covid-19 são motivo de preocupação para os deputados da comissão externa da Câmara que discute ações de combate ao novo coronavírus. As declarações foram feitas hoje, durante videoconferência.

"O Brasil precisa participar de pesquisas e investimentos, criar uma rede que amplie nosso desenvolvimento de vacinas", afirmou o coordenador da comissão externa, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr (PP-RJ). "Vamos questionar a OMS [Organização Mundial da Saúde] por que o Brasil não participa do projeto de desenvolvimento da vacina."

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) também se disse preocupado com "a postura atual do País, praticamente excluído da mesa de negociação". "O Congresso Nacional tem que assumir um papel sobre isso, ajudar a posicionar o Brasil", defendeu.

Já o deputado General Peternelli (PSL-SP) ponderou que a comunidade científica não é política, mas técnica. "A OMS tem que superar esses aspectos e manter a troca do conhecimento técnico. A comunidade científica não pode ter fronteiras", declarou.

Na opinião do diretor do Laboratório de Imunologia do Incor e ex-diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, que também participou da videoconferência, o Brasil é capaz de fazer uma vacina inovadora e diferente das outras. O problema, segundo ele, é a burocracia do Estado, "que é terrível".

"Neste momento de crise, tínhamos que importar reagentes e materiais sem que isso passasse semanas na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", criticou. "Produtos de pesquisa não são para utilização clínica. Há intercâmbio. É muito rápido entre laboratórios. É importante que isso venha rapidamente para o laboratório e não fique esperando sanção no aeroporto."

Possíveis parceiros

No Brasil, os possíveis parceiros para a produção da vacina seriam justamente o Instituto Butantan e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O diretor de Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma, no entanto, alertou que, para participar de uma parceria, os pesquisadores do instituto precisam conhecer detalhes do processo produtivo, a fim de identificar as capacidades brasileiras. Isso porque a produção de uma vacina envolve diferentes condicionantes, como tipo de frasco, doses por seringa, temperatura para conservação e a própria tecnologia.

"Não temos preferência por nenhuma empresa. O Ministério da Saúde que vai decidir em qual vacina vamos entrar e se teremos condições de fazer mais de uma parceria", informou Zuma. A depender do caso, disse o diretor, o instituto só conseguiria produzir a vacina se receber o ingrediente para fazer a parte final.

Perspectivas para o futuro

Vacina contra a covid - Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo - Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Imagem: Cadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Na audiência, representantes de empresas farmacêuticas também trouxeram as novidades relativas ao desenvolvimento de vacinas contra a covid-19. No momento, há inúmeros estudos conduzidos por diversos países e as perspectivas mais otimistas dão conta de uma vacina pronta para aplicação ainda neste ano.

O presidente da Pfizer Brasil, Carlos Murillo, destacou o trabalho em conjunto feito por diferentes empresas para acelerar o processo. "Se todos os testes continuarem avançando, já temos expectativas de ter os primeiros milhões da vacina disponíveis para finais de 2020, estamos falando de outubro e novembro", afirmou.

Os estudos se baseiam em novas tecnologias que pretendem acelerar a produção da vacina, que normalmente leva anos de pesquisa para ficar pronta. Na video conferência, os especialistas trataram principalmente de vacinas baseadas em RNA mensageiro, o que seria uma novidade no setor. São vacinas desenvolvidas a partir do código genético do vírus e não, como é padrão, de uma versão inativada dele.

"Essa tecnologia vai nos permitir uma alta potência e uma alta capacidade de produção. Vamos gerar uma resposta de defesa adequada sem usar o coronavírus. A gente copia o material genético dele para fazer com que a célula produza anticorpos", explicou a diretora médica da Sanofi Pasteur - Brasil, Sheila Homsani.

Os representantes dos laboratórios destacaram, por outro lado, a importância de parcerias com governos e outros centros de pesquisa locais para garantir a produção da vacina nas quantidades que o mundo necessita e o acesso da população a elas.

"No momento, a companhia não tem nenhuma decisão de onde vai ser distribuída a vacina, em que países. Vamos identificar os países que mais precisam e os grupos de melhor resposta e, com base nisso, tomar a decisão com as autoridades dos países", disse Carlos Murillo.

*Com Agência Câmara de Notícias

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