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Jamil Chade


Itamaraty irá agora examinar participação em projeto mundial de vacina

O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, na Casa Branca - Reprodução/Twitter
O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, na Casa Branca Imagem: Reprodução/Twitter
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

27/05/2020 17h07

O chanceler Ernesto Araújo explicou nesta quarta-feira em um encontro privado que o governo brasileiro irá debater sua participação em uma aliança internacional para desenvolver a vacina contra a covid-19.

A informação é do senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações de Exteriores do Senado, que pediu uma audiência com o ministro nesta semana justamente para tratar desse assunto.

Em abril, a coluna revelou com exclusividade que a OMS se aliou a um grupo de países europeus e lançou um projeto ambicioso de US$ 8 bilhões para acelerar o desenvolvimento de uma vacina. Naquele momento, dezenas de países de várias partes do mundo se somaram à iniciativa.

Um dia antes do anúncio, a reportagem do UOL entrou em contato com diplomatas em Brasília que sequer sabiam da existência da iniciativa. A coluna apurou que, na OMS, a informação tampouco havia sido compartilhada com o governo brasileiro. Por semanas, o presidente Jair Bolsonaro estava atacando a direção da OMS, enquanto o chanceler já iniciava sua campanha para alertar sobre o risco do vírus do comunismo nas agências internacionais.

Naquele momento, procurado pelo UOL, o Ministério da Saúde explicou que o Brasil já estava envolvido com "outras iniciativas", sem explicar jamais quais seriam.

Fora da aliança, o temor é de que o Brasil não esteja entre os governos que receberão como prioridade a vacina. Essa possibilidade deixou senadores e outros membros do Congresso preocupados. Nelsinho Trad, portanto, solicitou uma reunião com o chanceler.

De acordo com o senador, Araújo explicou que o governo federal irá tratar do assunto uma reunião inter-ministerial, no começo de junho. Na ocasião, será debatida a condição de entrada do Brasil nessa iniciativa e determinar de qual forma a participação poderá ocorrer.

Além do Brasil, não participa do projeto o governo dos EUA. Washington tem causado atritos dentro da OMS e mesmo com aliados ao deixar claro que não aceitará que governos estrangeiros tenham o direito de quebrar patentes de uma futura vacina ou que o produto seja considerado como um "bem público mundial".

Jamil Chade