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Covid: Drauzio vê Brasil rumo a tragédia histórica por ações de Bolsonaro

O médico Drauzio Varella criticou a atuação do governo federal na crise do coronavírus - Fernando Cavalcanti
O médico Drauzio Varella criticou a atuação do governo federal na crise do coronavírus Imagem: Fernando Cavalcanti

Do UOL, em São Paulo

05/06/2020 18h42

O médico Drauzio Varella falou sobre a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus no Brasil em entrevista ao jornal inglês The Guardian. Ele criticou a resposta do governo e as atitudes pessoais do presidente Jair Bolsonaro em meio à pandemia da covid-19, falando em "tragédia". Até agora, o vírus já foi a causa oficial de 34.021 mortes no país, tendo o recorde de registros em 24 horas sido registrado ontem, com 1.473.

"Eu acho que a história vai atribuir a ele um nível de culpa que realmente eu jamais gostaria de ter para mim mesmo", disse Drauzio, que afirmou sentir que "nosso país está passando por uma tragédia, e que essa tragédia está sendo tornando muito pior por causa da pobreza" no Brasil.

O médico citou o aumento de casos a cada dia no país. "Nós já somos o terceiro país do mundo em números de óbitos, nós em breve seremos o segundo, e nós estamos nos aproximando do nível de mortalidade dos Estados Unidos, que tem 330 milhões de habitantes, isso é 60% a mais que que a população do Brasil", afirmou.

Drauzio ainda criticou o ritmo reabertura da economia enquanto os números oficiais de casos e mortes seguem disparando. "A verdade é que nós estamos relaxando (a quarentena) em um ponto no qual o número de casos está em plena (curva) ascendente, sem nenhuma segurança", afirmou o médico.

"Nós vamos pagar o preço pelo que está acontecendo agora, tendo mais pessoas nas ruas, aglomerações. Em duas ou três semanas o número de casos vai aumentar. Não há mágica nisso. Não há solução ou algo que indique que o Brasil vai ser diferente", acrescentou.

Falando especificamente sobre o governo de Jair Bolsonaro, Drauzio lamentou a resposta desde o começo da pandemia. "Nosso país teve tempo para se preparar para a epidemia e não se preparou. E quando a epidemia chegou, embora tenha tomado algumas medidas de isolamento que poderiam ter tido um impacto, isso foi torpedeado pelo governo federal", disse.

O médico falou que a administração federal enviou "sinais conflitantes" à população, e criticou o discurso adotado pelo governo de que a crise econômica e a fome causariam mais mortes que o coronavírus. "Essa é uma visão ridícula", disse Drauzio. "E isso criou uma perspectiva muito difícil para o país, e nós estamos agora colhendo os resultados dessa política de antagonismo, de politização da epidemia, que é a pior situação possível", concluiu.

Drauzio também atacou posturas pessoais de Jair Bolsonaro, citando a participação em manifestações, ida a aglomerações e saídas sem máscara de proteção nas ruas. "Não é que tenhamos um debate ideológico. Não. O presidente simplesmente sai às ruas todo fim de semana para atrair multidões, sem máscara, desafiando a necessidade de isolamento. Isso praticamente se tornou uma política de governo", afirmou.

O médico também criticou as trocas no Ministério da Saúde, se referindo à demissão de Luiz Henrique Mandetta e ao posterior pouco tempo de permanência do sucessor, Nelson Teich. A Pasta ainda não tem um ocupante efetivo, estando nas mãos de Eduardo Pazuello interinamente. "Isso não aconteceu em nenhum outro lugar no mundo", disse.

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