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Laboratórios e farmácias apontam aumento de testes positivos de covid-19

Getty Images
Imagem: Getty Images

Guilherme Castellar e Luana Massuella

Colaboração para o UOL, do Rio de Janeiro e em São Paulo

20/11/2020 04h00

Laboratórios apontam que a busca por testes para covid-19 vem aumentando em todo o país. Segundo a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), que representa estes estabelecimentos, o número de exames para detectar o novo coronavírus realizados na primeira quinzena de novembro foi 30% maior do que nos últimos 15 dias de outubro.

O que preocupa é que o aumento de testagem vem acompanhado de um crescimento na taxa de positividade —ou seja, o percentual de exames que dão resultado positivo. A positividade subiu 25% no mesmo período, pelo levantamento da Abramed. As farmácias também notaram alta no número de testes rápidos positivos (leia mais abaixo).

Os números da Abramed incluem laboratórios que atuam dentro de hospitais e unidades ambulatoriais que atendem clientes com convênio de saúde ou particulares —e representam cerca de 60% dos exames feitos na saúde suplementar em todo o país.

Farmácias já realizaram mais de 1 milhão de testes rápidos para detectar o novo coronavírus - iStock - iStock
Farmácias já realizaram mais de 1 milhão de testes rápidos para detectar o novo coronavírus
Imagem: iStock

Mais casos positivos nas farmácias

Em relação aos testes rápidos realizados em farmácias, a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) apontou alta na taxa de resultados positivos em 16 estados, na semana de 2 a 8 de novembro, em relação à semana anterior.

São eles:

  • Amapá: 77,51%
  • Mato Grosso do Sul: 59,84%
  • Rondônia: 42,17%
  • Bahia: 29,31%
  • Pernambuco: 28,95%
  • Paraná: 27,62%
  • Tocantins: 24,08%
  • Alagoas: 23,9%
  • Pará: 20,25%
  • Piauí: 18,31%
  • Espírito Santo: 16,72%
  • Ceará: 12,15%
  • Mato Grosso: 10,19%
  • Rio Grande do Norte: 9,71%
  • Rio Grande do Sul: 4,53%
  • Minas Gerais: 0,3%

É importante ressaltar que oscilações nos registros de estados onde são feitos menos testes podem levar a uma variação percentual maior.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos testes rápidos realizados desde 28 de abril, quando começaram a ser feitos nas farmácias. Em outubro, houve alta na procura por exames rápidos, mas, na primeira semana de novembro, o número baixou.

Até 8 de novembro, foram realizados 1.087.639 atendimentos nas mais de 2.100 farmácias ligadas à associação. O resultado foi positivo em 155.349 testagens (14,28% do total) e negativo em 932.290 (85,72%).

Infectologistas afirmam que o aumento na procura dos testes rápidos nas farmácias pode ser explicado pela facilidade de acesso. Mas eles alertam para a confiabilidade desses resultados.

"O mais importante é que pessoas que estejam apresentando sintomas busquem serviços de saúde para um diagnóstico feito por um profissional de saúde. Desta forma, terão exames diagnósticos e já o aconselhamento em relação ao prognóstico", diz Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

Para o CEO da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, com os testes rápidos, "as farmácias contribuíram para auxiliar as autoridades públicas na identificação de novos casos e no trabalho de controle da covid-19".

Laboratório aponta situação nas capitais

A alta nas confirmações de covid-19 começou a ser apontada na semana passada por alguns hospitais e laboratórios de diagnóstico. Na sexta-feira (13), a Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, emitiu comunicado informando aumento nos casos positivos da doença —de 18,9% do total em outubro para 27,4% nos primeiros dias de novembro.

E essa curva continua em ascensão, segundo a rede de laboratórios. De 13 a 17 de novembro, a média de resultados positivos está crescendo de 1,5 a 2 pontos percentuais por dia.

O médico Sérgio Cimerman, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), diz que é necessário manter os cuidados.

Se temos uma proporção maior de diagnóstico positivo, temos um aumento na doença. E é um indicativo de que as pessoas estão relaxando nas medidas de proteção, principalmente no uso de máscara.

O levantamento feito pela Dasa mostra que a situação é mais preocupante em algumas capitais. A média móvel na procura por exames cresceu 50% no Rio de Janeiro e 30% em São Paulo, entre 10 de outubro e 10 de novembro. E veio também acompanhada do aumento na média de resultados positivos em algumas regiões.

Nos hospitais do Rio de Janeiro, a média de positividade era de 30% em outubro e está em torno de 40% em novembro. Nas unidades de saúde do Recife, o salto foi ainda maior —quase metade dos testes de covid-19 estão dando positivo. Antes, era um em cinco.

A diretora-executiva da Abramed, Priscilla Franklim Martins, afirma que os laboratórios estão preparados para o crescimento na busca por exames do novo coronavírus —e também para manter o atendimento de outros casos. "Temos protocolos de segurança fortíssimos e consolidados, pois nosso setor é regulado. Então, as pessoas não devem deixar de fazer os seus exames, de qualquer doença, pois elas não deixaram de existir por causa da covid."

Gustavo Campana, diretor médico da Dasa, comenta que há uma preocupação sobre insumos, ainda mais considerando o aumento da doença em outras partes do mundo. "Temos feito um planejamento de estoques tanto para testes quanto para insumos de proteção individual. Não queremos ter problemas como vivemos no começo da pandemia, que foi uma surpresa. Esse realmente é um ponto de atenção".

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