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Coronavírus

SP adota tom de preocupação e culpa eleições, mas descarta lockdown

Allan Brito, Felipe Pereira e Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo e Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/11/2020 14h24Atualizada em 19/11/2020 16h35

O governo de São Paulo adotou um tom diferente do das últimas semanas sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus no estado. Em entrevista coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, tanto o governador João Doria (PSBD) como autoridades da Saúde elevaram a preocupação com a piora dos números no estado, que levaram o governo a assinar um decreto hoje reservando leitos de covid-19 e impedindo o agendamento de novas cirurgias eletivas.

O governo descarta a realização de lockdown. Isso não foi feito nos primórdios [da pandemia], em períodos de taxas [de ocupação de leitos] que superavam 95%. Hoje temos leitos disponíveis, respiradores, hospitais e temos índices que não nos revelam sequer qualquer necessidade de retroceder no faseamento do Plano SP"
Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde

Doria e José Medina, chefe do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo, atribuíram parte do "recrudescimento" ao primeiro turno das eleições municipais, realizado no último domingo (15). No entanto, descartaram a possibilidade de o estado decretar um lockdown para tentar controlar uma possível segunda onda da doença.

Ontem, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse ao UOL que a Prefeitura não planeja reabrir os hospitais de campanha mesmo com um aumento no número de casos e internações por covid-19.

Segundo dados da Secretaria de Saúde estadual, a atual semana epidemiológica, que termina no sábado, apresenta alta na média móvel de novos casos. Por enquanto, são 4.269 contaminações diárias contra 3.664 da semana anterior, o que representa um crescimento de 16,5%.

Já a ocupação de leitos de UTI dedicados à covid-19 em São Paulo ainda tem números abaixo de 50%, registrando 43,5% no estado e 49,7% na Região Metropolitana da capital.

Bolsonaro

Doria admitiu que o governo paulista vem tendo dificuldades para conscientizar a população sobre a gravidade da pandemia.

"Estamos vivendo a pandemia e com dificuldade para que as pessoas sigam orientações. Isso está evidente, as pessoas estão cansadas, mas precisam ser orientadas", afirmou o governador, voltando a criticar, como tem feito nos últimos meses, a posição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de não propagar as medidas de distanciamento social.

É um momento crucial na história do país e não podemos perder tempo com burocracia e discussões inúteis enquanto brasileiros morrem. Não é justo, correto e humanitário que discussões políticas se sobreponham à vida e à ciência."
João Doria sobre as primeiras doses da CoronaVac

Segundo turno

O coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus, José Medina, declarou que a eleição municipal, que teve seu primeiro turno disputado no último domingo (15), pode ter relação com o aumento de casos de covid-19 no estado. Ele ressaltou que foram 557,3 mil candidaturas no país e que o Brasil como um todo vive a mesma situação de São Paulo.

O segundo turno das eleições será realizado no dia 29. Para o dia seguinte, está marcada a próxima avaliação de reclassificação do Plano SP, que poderia levar todo o estado paulista para a fase verde.

Já o coordenador-executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo, disse que não hesitará em regredir as medidas de flexibilização se houver necessidade, mas ressaltou que não existe nenhuma região nesta situação no estado de São Paulo. Ele acrescentou que não há risco de falta de leitos porque ainda está com ocupação de 43,5%, o que significa boa margem.

A campanha de Bruno Covas (PSDB) teme que a pandemia recrudesça na capital antes do segundo turno, no fim do mês, que ele disputa contra Guilherme Boulos (PSOL). Covas repetiu duas vezes — em agenda de campanha e, em seguida, em entrevista coletiva - que a cidade tem uma "estabilidade da evolução na pandemia" e que não vai flexibilizar nem retroceder, por enquanto, as ações de quarentena. "Vamos mostrar que não há segunda onda na cidade e que há uma estabilidade na pandemia", disse ele.

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