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Ocupação de UTIs de covid na rede pública municipal de SP chega a 50%

Paciente com covid-19 é atendido na UTI de hospital da capital, em agosto - Eduardo Anizelli/Folhapress
Paciente com covid-19 é atendido na UTI de hospital da capital, em agosto Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

20/11/2020 21h54

O boletim diário de acompanhamento da pandemia da Prefeitura de São Paulo de hoje informou que a taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para a covid-19 está em 50%. O percentual representa um aumento de 14 pontos percentuais em relação à sexta-feira da semana passada (13), quando estava em 36% —às vésperas do primeiro turno das eleições municipais.

Em números totais, hoje há 482 pessoas em tratamento intensivo. Na sexta-feira da semana passada eram 381 —variação de 101 pacientes. Mesmo com o aumento da ocupação, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, afirmou que a situação é de "atenção e controle".

Ele voltou a negar que a cidade esteja enfrentando uma segunda onda de covid-19. O secretário admitiu que a taxa de ocupação cresceu, mas disse que a situação é de estabilidade. Aparecido afirmou que há leitos ociosos na rede pública.

Não estamos em segunda onda. Estamos mantendo a estratégia de acompanhamento de sintomáticos. E temos leitos na rede.

A posição é a mesma que vem sendo repetida pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), que tenta a reeleição em disputa contra Guilherme Boulos (PSOL). Na quinta-feira (19), Covas concedeu uma coletiva em que negou segunda onda, mas informou que decidiu manter restrições, como as aulas presenciais apenas para o ensino médio.

Embora as autoridades falem em "estabilidade" e "controle", os números mostram um aumento de casos de covid-19 em novembro na capital.

No total, foram confirmados 338.989 diagnósticos positivos para a doença desde o começo da pandemia na cidade de São Paulo. O site da Fundação Seade, usado pelo governo estadual para acompanhar os dados, indica um aumento mensal de 64,6% na média móvel diária de casos neste mês na capital. Em 1º de novembro eram 871 novos diagnósticos por dia. Hoje, subiu para 1.434.

Desde a semana passada, médicos e profissionais de Saúde alertam para a movimentação nos hospitais. Para se fazer avaliação em perspectiva, na primeira sexta-feira de novembro (6), a taxa de ocupação das UTIs da rede municipal estava em 33%. Em duas semanas, chegou a 50%.

Internações em enfermaria também crescem

O número de pacientes também aumentou nas enfermarias dos hospitais da capital. Na sexta-feira de semana passada, havia 693 pessoas internadas por contaminação do novo coronavírus. Hoje, são 859. A variação representa um crescimento de 23,9%.

O problema não afeta somente a rede pública local. Pesquisa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) mediu a demanda nos últimos 15 dias. O resultado mostrou que 44,74% dos hospitais privados do estado tiveram aumento das internações.

Na quinta-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reagiu. Ele assinou decreto que impede o fechamento de leitos de UTI e enfermarias dedicados ao tratamento da covid-19 em hospitais públicos, privados e filantrópicos. Também houve prorrogação da quarentena até 16 de dezembro.

O coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus, José Medina, afirmou que o aumento de casos pode estar relacionado às eleições. Ao fazer campanha, candidatos provocaram aglomerações que favoreceram o contágio. Ele também disse que reuniões familiares e festas contribuem para a disseminação da doença.

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