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Coronavírus

"Só bolinho e parabéns": após reunião, família tem 4 internados por covid

Izadora, a tia, a avó e o marido em um dos encontros: dos quatro, três adoeceram - Imagem cedida ao UOL
Izadora, a tia, a avó e o marido em um dos encontros: dos quatro, três adoeceram Imagem: Imagem cedida ao UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

03/12/2020 04h04

Um encontro de família acabou se tornando um drama após seis pessoas contraírem a covid-19 em Maceió. Quatro precisaram ser hospitalizadas e uma delas está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave.

A relações públicas Izadora Garcia, 30, conta que a família sempre teve muito cuidado em relação à covid-19 e praticava todas as recomendações referentes ao isolamento social. Porém alguns encontros começaram a ocorrer na casa das avós na capital de Alagoas.

"Minha tia Girlene —que cuida da minha avó de 90 anos e tia-avó de 91— levou uma queda no início do mês passado, e a gente precisou ficar indo lá dar uma força. De certa forma, isso fez com que a gente acabasse relaxando e comemorasse os aniversários do mês de novembro por lá. Não foi bem festa: a gente só comprou um bolinho e cantou os parabéns", explica.

Izadora conta que no dia 13 de novembro todos estavam reunidos, quando o tio dela começou a se sentir mal. "Não era nenhum sintoma gripal, e ele procurou atendimento médico. Inicialmente achavam que era a glicose descompensada. Mas depois ele começou a ter febre e positivou. Entre cinco e seis dias depois, todos que estavam na casa começaram a apresentar sintomas, exceto minha avó e minha tia-avó, de quem mantivemos o distanciamento o máximo possível", diz.

Segundo ela, antes do tio adoecer, dois encontros ocorreram: nos dia 3 e 11. Hoje estão doentes ela, o marido, a irmã, a mãe e uma casal de tios. A doença levou a um quadro grave apenas no tio Gil, 47, que está na UTI desde o dia 25 de novembro.

Para Garcia, o único fato positivo foi que as duas mais idosas da família não se contaminaram. "Isso é um alívio. A gente sempre se preocupou muito em não pegar covid-19 justamente pela fragilidade delas. Então nós ficávamos na parte externa da casa na maior parte do tempo e só entrávamos de máscara, evitando chegar perto delas. E foi isso que as salvou, com toda a certeza, porque evitou o contágio", afirma.

Um após outro foram piorando

Izadora lembra que após seu tio adoecer, os sintomas da covid-19 começaram a ficar mais visíveis e se manifestaram de forma, tempo e intensidade diferentes. "Minha irmã fez uma tomografia e percebeu um comprometimento de 50% do pulmão. Ela foi orientada a procurar um serviço de urgência no mesmo dia", diz.

Neste mesmo dia, o marido dela e a mãe começaram a piorar. "Até o momento, eu parecia ser assintomática porque só tinha uma tosse leve. Aí começou o pesadelo, porque eu fui deixando um a um na emergência", lembra.

Apesar de ter tido sintomas menos severos, a relações públicas afirma que começou a sentir falta de ar forte e ficou em dúvida. "Achei que fosse uma crise de ansiedade. Fui ao hospital também e me examinaram quando eu disse que tive contato. Na tomografia mostrou um acometimento pulmonar de 30% a 40%", conta.

Ainda naquela ocasião, ela, o marido e a mãe foram liberados para seguir o tratamento em casa. Até então, apenas o tio dela e a irmã estavam internados, mas a situação foi piorando. Depois de alguns dias, a tia também passou a ter febre.

"Presa" no hospital

Izadora conta que ainda precisa ficar cumprindo protocolo de quarentena no hospital, mesmo sem sintomas relevantes. "Não estou internada, mas não posso sair do quarto do hospital", diz.

Para ela, o susto passado por todos deve servir de lição para outras famílias que pensam em se reunir nesse fim de ano.

"O mais assustador de tudo foi ver a evolução do número de casos com o passar dos dias, o que mostra que os casos estão crescendo de maneira descontrolada. Na primeira vez que procuramos a emergência, não tinha tantos casos de síndrome gripal. E eles foram aumentando demais com o passar dos dias. Que sirva de lição para todos."

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