PUBLICIDADE
Topo

Saúde

Conteúdo publicado há
1 mês

Ainda sem vacina, Pazuello diz que Brasil 'ultrapassará EUA' em fevereiro

Do UOL, em São Paulo

14/01/2021 20h32Atualizada em 14/01/2021 21h25

Ainda sem um calendário de vacinação, e dependendo da aprovação da Anvisa para o uso emergencial da CoronaVac e da chamada Vacina de Oxford, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, prometeu hoje que, no próximo mês, o Brasil irá ultrapassar os EUA no ranking de aplicação de vacinas.

Pazuello, que prevê que o início da imunização no Brasil comece no dia 21 de janeiro, não especificou a quantidade de doses previstas para a primeira etapa:

Em janeiro, com dois, seis ou oito milhões de doses, vamos nos tornar o segundo, talvez o primeiro, dependendo dos EUA, país que mais vacinou no mundo. Quando entrarmos em fevereiro com a nossa produção em larga escala, e nosso PNI, que tem 45 anos, vamos ultrapassar todo mundo, inclusive os EUA."
General Eduardo Pazuello

Mais cedo, Pazuello se reuniu hoje com a Frente Nacional de Prefeitos e prometeu distribuir 8 milhões de doses das vacinas do Instituto Butantan, a CoronaVac, e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na próxima semana para começar a campanha nacional de vacinação no dia 20. O início da vacinação, no entanto, foi posteriormente adiado em um dia porque o avião responsável por buscar parte das doses da vacina da Fiocruz na Índia só deve sair do país nesta sexta-feira (15).

Os Estados Unidos mencionados por Pazuello, por sua vez, já aplicaram ao menos uma dose de vacina em cerca de 11,1 milhões de americanos — menos do que os 20 milhões prometidos. Os dados são do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Ontem, a OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que cerca de 28 milhões de pessoas já se vacinaram contra a covid-19 em 46 países do mundo.

Para justificar o calendário, Pazuello elogiou a produção de vacinas em larga escala e o PNI (Plano Nacional de Imunização). Sem dar detalhes sobre como o governo federal pretende agir, trouxe para si a responsabilidade.

"Nós contratamos, entregamos, o estado participa da discussão logística de entrega, mas quem vacina é o município", afirmou. "Estive na frente nacional de prefeitos, uma grande frente, avaliei a preparação dessas prefeituras e posso afirmar que o país está preparado para iniciar a vacinação. Temos a flexibilidade de reforçar essa ou aquela prefeitura, esse ou aquele estado, com insumos ou o que for necessário."

"Queria reforçar que nenhuma iniciativa de estado ou município estará fora do PNI, nenhuma", afirmou, em referência à disputa que o presidente trava com o governo paulista. No Brasil, o Instituto Butantan vai produzir a CoronaVac em parceria com o laboratório Sinovac, e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vai produzir doses da vacina AstraZeneca/Oxford.

Há uma estratégia do governo federal com o SUS, ela foi desenhada há seis meses. Estamos na cronologia correta dessa estratégia. [...] Vamos neste mês de janeiro iniciar nosso processo de vacinação de forma única no país e de forma centralizada, pelo SUS, e não por um estado ou prefeitura individualmente."
General Eduardo Pazuello

A decisão do Ministério da Saúde de distribuir as vacinas por meio do PNI (Plano Nacional de Imunização), como é comum ao longo da história do Brasil, fez com que o Butantan rompesse o acordo com cidades de todo o Brasil que queriam ter acesso à CoronaVac.

Esse acordo havia sido assinado entre o Instituto, com intermédio do governo estadual, e mais de mil cidades, garantindo aos municípios que eles poderiam vacinar seus moradores caso o governo federal não comprasse doses da CoronaVac. Como o executivo nacional assinou a compra de 46 milhões de doses até abril e se comprometeu a distribui-las, o combinado foi desfeito hoje.

A Anvisa informou que está prevista para domingo a reunião da Diretoria Colegiada que decidirá sobre pedidos de autorização para uso emergencial das vacinas do Instituto Butantan e da Fiocruz, respectivamente a CoronaVac e a AstraZeneca-Oxford.

Saúde