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Serrana (SP) terá vacinação em massa contra covid-19 em estudo do Butantan

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em live nas redes sociais da Prefeitura de Serrana - Reprodução/Facebook/oficialprefeituraserrana
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em live nas redes sociais da Prefeitura de Serrana Imagem: Reprodução/Facebook/oficialprefeituraserrana

Stella Borges

Do UOL, em São Paulo

07/02/2021 14h21

A cidade de Serrana (SP) vai ter vacinação contra covid-19 em massa em moradores com mais de 18 anos ao fazer parte de um projeto de estudo do Instituto Butantan. O anúncio foi feito ontem numa transmissão ao vivo da prefeitura nas redes sociais. O projeto é restrito para moradores da cidade e a participação não é obrigatória. A imunização deve começar no dia 17 de fevereiro.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a cidade tem 45.644 habitantes.

Os lotes da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac, são específicos para o estudo, ou seja, não serão tiradas de outras cidades. A pesquisa é integralmente financiada pelo instituto.

"A ideia é vacinar o maior número de pessoas na população adulta. Nós estamos prevendo uma vacinação que pode chegar a 30 mil pessoas — obviamente que as pessoas não são obrigadas a vacinar. Com isso, a gente acompanha a evolução da epidemia. Tem aspectos técnicos que vão permitir fazer cálculos, fazer projeções, que vão calcular se a vacina é eficaz em diminuir a transmissão ou não, qual a porcentagem. Tem toda uma metodologia que vai permitir que isso seja feito (...) Mas para a população importa é que ela estará sendo vacinada, uma vacinação em massa", explicou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, durante o evento.

Covas explicou que no ano passado um estudo para verificar a prevalência da infecção pelo coronavírus mostrou que Serrana apresentava números elevados, o que despertou a atenção dos pesquisadores. A cidade, embora pequena, também apresenta grande movimentação de pessoas, o que facilita a propagação do novo coronavírus.

O diretor médico de Pesquisas Médicas do Instituto, Ricardo Palácios, explicou que o projeto é um ensaio clínico de implementação escalonada com objetivo de avaliar a efetividade da vacina, ou seja, a utilidade da vacina a nível de comunidade para poder deter a pandemia.

"A primeira pergunta que a gente quer responder através desse estudo é: será que com essa vacina vamos realmente poder sair desta pandemia? Nós já sabemos que a vacina é segura e eficaz ao nível de cada pessoa que a recebe, mas agora, quando pensamos no coletivo, numa sociedade, será que nós vamos conseguir conter a pandemia através da vacinação? Não estamos pensando em pessoas isoladas. Estamos pensando em comunidades (...) Para que esse estudo dê certo, a comunidade como um todo tem que participar", disse.

"Quanto maior for a adesão da população nessa vacinação, maior será a contribuição que o município vai dar ao mundo. Porque esses resultados serão disponibilizado pelo mundo", acrescentou Covas.

Para o projeto, a cidade foi divida em 25 partes, que depois formaram quatro grandes áreas, separadas por cores. Um sorteio foi realizado para definir a sequência da vacinação, que ocorrerá em oito escolas da cidade. As autoridades orientarão os habitantes sobre qual área cada um pertence.

Pessoas que moram em outras cidades, mulheres grávidas ou em amamentação, quem teve febre nas últimas 72 horas antes da vacinação e portadores de doenças graves não controladas não podem participar do estudo. Em relação às doenças graves, um médico que estiver na unidade fará uma avaliação.