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É imoral empresas comprarem vacinas agora, diz ex-presidente da Anvisa

Gonzalo Vecina Neto explicou que vacinação não é um ato individual e precisa ser planejado coletivamente - VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Gonzalo Vecina Neto explicou que vacinação não é um ato individual e precisa ser planejado coletivamente Imagem: VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Colaboração para o UOL

07/04/2021 09h57

Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), criticou a Câmara dos Deputados, que aprovou o texto-base de um projeto de lei para permitir que empresas comprem vacinas contra covid-19 para os próprios funcionários.

Vecina Neto explicou que a vacinação não deve ser tratada como um ato individual, mas sim coletivo. E por isso é importante organizá-la para que ocorra em massa, gratuitamente, com a melhor estratégia possível feita pelo PNI (Programa Nacional de Imunização). Se as empresas começarem a vacinar seus funcionários, esse planejamento do Ministério da Saúde não será cumprido.

Por isso Gonzalo recomenda que o governo federal compre mais vacinas para garantir a imunização coletiva da sociedade brasileira.

"Acho imoral, através de ter dinheiro, conseguir ter vacina. Acho que o esforço que o país tinha que fazer era garantir imunizante para os grupos prioritários o mais rápido possível", disse ele, em entrevista à CNN Brasil.

Outro problema, segundo Vecina Neto, é que a qualidade das vacinas compradas pelas empresas deve ser pior. "As grandes farmacêuticas multinacionais, que são as principais, não vão vender para a iniciativa privada".

Segundo o ex-presidente da Anvisa, se esse projeto de lei avançar, aumenta o risco da pandemia continuar descontrolada no Brasil

"Ou nós conseguimos vacinar a população brasileira ou o vírus continuará circulando. Temos que garantir para toda a população e particularmente para os grupos mais vulneráveis. Se não, não conseguiremos paralisar a doença, como agora em abril, que enfrentaremos o pior mês da pandemia", estimou Vecina Neto.

O texto-base do projeto de lei foi aprovado ontem, mas a votação seguirá hoje. Ainda falta avaliar destaques, que podem alterar o teor do projeto.

OMS concorda

Mariângela Simão, vice-diretora geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), concordou com Vecina Neto e afirmou que a compra de vacinas pela iniciativa privada aumentará a dificuldade de acesso às vacinas.

"O posicionamento da OMS tem sido a favor das medidas governamentais e do fornecimento de vacinas de forma equitativa por meio das iniciativas públicas, sejam elas internacionais ou nacionais. Nós não podemos criar mais um degrau no acesso à vacina", disse ela à CNN Brasil.

João Gabbardo concorda

João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da covid-19 em São Paulo, concorda com Vecina Neto. Ele não acha justo que uma parte da população receba prioridade na vacinação por ter mais recursos. Mas também afirma que dificilmente os laboratórios vão vender imunizantes para a iniciativa privada neste momento.

"Depois que terminarmos a vacinação com a população prioritária, a partir daí acho que é possível que tenhamos uma ampliação da vacinação para toda a população e, no caso, as empresas então poderão disponibilizar as vacinas para seus funcionários. Mas isso só depois de toda a população prioritária estar já vacinada", afirmou Gabbardo à CNN Brasil.

O coordenador também reforçou que o governo de São Paulo pretende comprar mais vacinas além daquelas que já foram vendidas ao Ministério da Saúde. Mas segundo Gabbardo, isso só acontecerá depois que toda população prioritária for vacinada no país.

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