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Fiocruz prevê 'cenário crítico' no Sul e Centro-Oeste nas próximas semanas

DF, SC, RS e MT tiveram as maiores taxas tanto de casos como de mortalidade pela covid-19 de todo o Brasil do final de março até início de abril - ABR
DF, SC, RS e MT tiveram as maiores taxas tanto de casos como de mortalidade pela covid-19 de todo o Brasil do final de março até início de abril Imagem: ABR

Do UOL, em São Paulo

10/04/2021 14h09

Boletim divulgado hoje pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alerta que as regiões Sul e Centro-Oeste terão um "cenário crítico" nas próximas semanas e prevê um expressivo aumento de casos e de mortes por covid-19 entre adultos entre 30 a 59 anos devido à saturação do sistema de saúde.

De acordo com o levantamento, as próximas semanas deverão refletir a situação vivida pelas duas regiões entre o final de março e início de abril, quando o Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso tiveram as maiores taxas tanto de casos como de mortalidade pela covid-19 de todo o Brasil do final de março até início de abril.

De 21 de março a 3 de abril, as maiores taxas de incidência de covid-19 foram observadas em Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. Já as taxas de mortalidade mais elevadas foram verificadas em Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Segundo o boletim, nesse período, as faixas etárias de 30 a 39, de 40 a 49, e 50 a 59 anos continuaram sendo aquelas com aumento mais notável de casos da enfermidade: respectivamente, 1.218 (33%), 1.217 (95%) e 1.144 (94%).

Com relação às morte, as faixas que mantiveram crescimento superior ao global foram 20 a 29 (872,73%); 30 a 39 (813,95%); 40 a 49 (880,72%); 50 a 59 (877,46%); e 60 a 69 anos (566,46%).

Pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz, responsáveis pelo boletim, verificaram que as mortes na faixa etária de 20 a 29 anos apresentaram um crescimento de 740,80% em relação ao boletim anterior, maior do que a média global (701,58%).

"Esta mudança no perfil dos casos e óbitos contribui para o aumento da pressão sobre o sistema de saúde, potencialmente prolongando o tempo médio de internação. Além disso, já que se trata de população com maior circulação devido às atividades de trabalho, é importante considerar o potencial de transmissibilidade aumentado devido a este rejuvenescimento. Portanto, este fenômeno requer atenção dos gestores para uma intensificação da adoção das medidas de mitigação, como as de distanciamento físico e social", diz o boletim.

Quanto as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS (Sistema Único de Saúde), cinco estados apresentaram reduções consideráveis para os pesquisadores: Roraima (de 62% para 49%), Amapá (de 100% para 91%), Maranhão (de 88% para 80%), Paraíba (de 84% para 77%) e Rio Grande do Sul (de 95% para 90%).

Na direção oposta, destaca-se piora em Sergipe, com a taxa subindo de 86% para 95%. Exceto por essas mudanças que chamam mais a atenção, os dados obtidos em 5 de abril indicam relativa estabilidade do indicador, em níveis muito críticos, na maior parte dos estados e no Distrito Federal.

Incidência e mortalidade

As maiores taxas de incidência de covid-19, como mostra o Boletim, foram observadas nos estados de Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal.

Já as taxas de mortalidade mais elevadas foram verificadas nos estados do Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. Esse padrão coloca as regiões Sul e Centro-Oeste como críticas para as próximas semanas, o que pode ser agravado pela saturação do sistema de saúde nesses estados.

Imunização

Quanto à imunização, os pesquisadores observam que o Brasil ainda está distante dos valores necessários para que o país tenha "uma situação de maior controle'. As primeiras doses das vacinas foram disponibilizadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), até o período em análise, para 13% da população acima de 18 anos e as segundas doses para apenas 3,68%.

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