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Preço deve limitar uso do Regen-COV no SUS, diz pesquisador da Fiocruz

O infectologista e pesquisador da Fiocruz Júlio Croda - Erasmo Salomão/Ministério da Saúde
O infectologista e pesquisador da Fiocruz Júlio Croda Imagem: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

Do UOL, em São Paulo

20/04/2021 16h04Atualizada em 20/04/2021 16h10

O infectologista e pesquisador da Fiocruz Júlio Croda disse hoje que o preço do Regen-COV, novo medicamento contra a covid-19 aprovado hoje pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pode "limitar" o uso no SUS (Sistema Único de Saúde).

"Ele reduziu a carga viral em pacientes que não tinham tido a doença, reduziu a hospitalização em torno de 70%, entretanto, tem um custo elevado. A dose desse tratamento sai entre US$ 1200 e US$ 1500. Como um tratamento para evitar casos graves, continua sendo caro, e dificilmente isso vai chegar aos pacientes do SUS e nem a fabricante tem condições de produzir ampolas suficientes", afirmou o infectologista em entrevista à CNN Brasil.

Croda lembrou que o Ministério da Saúde deve avaliar a nova tecnologia para estudar uma forma de adicioná-la ao SUS de modo mais acessível, mas que, ainda assim, "o uso na rede pública deve ser bastante limitado".

O uso emergencial foi aprovado hoje pela Anvisa. O medicamento é resultado da combinação dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe. O coquetel, chamado de Regen-Cov, não previne a doença, mas apresentou resultados positivos para evitar o agravamento do quadro em pacientes com fatores de risco.

"Esse tratamento só deve ser oferecido no início da doença e para o grupo de pacientes com comorbidades, ambulatoriais, é o que o estudo demonstrou. Não deve ser usado para pacientes que estão no hospital e na UTI. É para prevenir essa evolução e a necessidade de uso de oxigênio. Por isso tem que se identificar o grupo de risco, como obesidade, idade avançada, doença cardiovascular, asma, diabetes, doença renal, doença hepática crônica e pacientes suprimidos", disse Croda.

Ele apontou ainda que os estudos mostram que houve uma redução da carga viral, principalmente nos pacientes que não tiveram exposição ao vírus e nem tomaram a vacina. "Ele tem efeito melhor porque o paciente nunca teve contato com o vírus", afirmou.

Questionado sobre a eficácia do medicamento contra as variantes do novo coronavírus, o pesquisador disse que ainda não há "dados de ensaios clínicos em relação a isso. O que há são dados in vitro de que ele neutraliza a nossa variante P1".

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