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Covid: UBS em SP vacina pessoas que vivem com HIV e leva a busca frustrada

JURANIR BADARÓ/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: JURANIR BADARÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo

14/05/2021 04h00

Um erro de comunicação levou diversas pessoas que vivem com HIV a procurarem os postos de saúde em São Paulo em busca da vacina contra covid-19. A maioria, no entanto, se frustrou ao descobrir que ainda não faziam parte dos grupos prioritários que começaram a ser vacinados nesta semana e que o caso havia sido uma falha.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, ao menos nove pessoas vivendo com HIV com menos de 55 anos de idade receberam a vacina da covid-19 na UBS Humaitá na última segunda-feira (10). Porém, a imunização do grupo começou apenas nesta quarta-feira (12) e para quem tem entre 55 e 59 anos.

A notícia se espalhou pelo Twitter e pelo Instagram naquele dia e levou diversas pessoas a saírem, expondo-se à contaminação, e esperarem em filas em busca do imunizante.

O influenciador digital Lucas Raniel chegou a postar em seu Instagram um vídeo recebendo a vacina na UBS Humaitá e sugeriu que seus seguidores procurassem os postos para se informarem se já poderiam se vacinar também. Porém, Raniel passou a sofrer ataques de seguidores que o acusavam de furar fila. Mais tarde, o influencer fez uma nova postagem esclarecendo o ocorrido.

"Hoje acordei e fui até a UBS mais próxima a minha residência saber sobre a vacinação para PVHIV, e lá houve uma confusão entre as próprias profissionais de saúde, pois não tinham certeza sobre a vacinação para o grupo de pessoas vivendo com HIV/Aids", escreveu em seu Instagram.

Ele conta que mais tarde recebeu uma ligação confirmando que poderia se vacinar e chamou uma amiga para ir junto. Ambos receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca.

"Avisamos às profissionais daquele local que iríamos espalhar a notícia para que outras pessoas pudessem também ir até o local se vacinar, e elas inclusive agradeceram", conta.

Após a postagem, diversas pessoas também procuraram a mesma UBS e algumas até conseguiram receber o imunizante, mas quem chegou após um determinado horário se frustrou ao descobrir que não poderiam ser vacinadas. Pessoas também relataram haver procurado outras UBS e receberam a mesma informação de que não poderiam se vacinar.

Houve erro por parte do sistema de saúde onde me vacinei. Infelizmente não era para nenhuma dessas pessoas (inclusive eu) se vacinarem.
Lucas Raniel em seu Instagram

No Twitter, também havia postagens divulgando a informação de que São Paulo já estava vacinando as pessoas que vivem com HIV de todas as idades. Algumas delas foram apagadas horas depois.

Fernando* foi uma das pessoas que procurou a UBS em busca da vacina. Lá, foi informado de que já não estavam mais aplicando o imunizante nas pessoas que vivem com HIV e que o ocorrido daquele dia havia sido um "erro". Segundo ele, um amigo que foi algumas horas mais cedo conseguiu se vacinar e o instruiu a procurar o mesmo posto.

"Na UBS, eles me falaram que foi um erro de uma enfermeira. Depois chegou aos ouvidos da secretaria e aí foi suspensa imediatamente a aplicação ali no Humaitá", lamenta.

Um seguidor de Raniel comentou no Instagram: "Eu fui o último a tomar a vacina, aí chegou a notícia que seria a partir de quarta-feira, e avisaram as pessoas na fila que não adiantava ficar".

Ao UOL, a prefeitura confirmou que, além de Lucas Raniel, outras oito pessoas que vivem com HIV e são menores de 55 anos foram vacinadas na UBS Humaitá. "A UBS foi informada que as pessoas vivendo com HIV deveriam entrar no grupo de 'comorbidades de 55 a 59 anos', que iniciou a vacinação nesta quarta-feira (12)", informou em nota.

A orientação da prefeitura para estas pessoas que receberam a vacina antes do tempo é que retornem para tomar a segunda dose normalmente na data indicada.

Ampliação dos grupos prioritários

Em 29 de março, o Ministério da Saúde ampliou as recomendações de vacinação contra covid-19 para as pessoas que vivem com HIV e tenham entre 18 e 59 anos. A separação por faixa etária foi determinada pelo município de São Paulo em um ato instrutivo no dia 8 de maio.

Nele, se ampliou a vacinação para:

  • Pessoas com Síndrome de Down de 18 a 59 anos (10/maio);
  • Pacientes em Terapia Renal Substitutiva de 18 a 59 anos (10/maio);
  • Pessoas transplantadas imunossuprimidas de 18 a 59 anos (10/maio);
  • Gestantes em qualquer idade gestacional e puérperas (até 45 dias após o parto) com comorbidades acima de 18 anos (11/maio);
  • Pessoas com deficiência permanente beneficiários do BPC de 55 a 59 anos (11/maio);
  • Pessoas com comorbidades de 55 a 59 anos (12/maio).

As pessoas vivendo com HIV entram no grupo das comorbidades como imunossuprimidos, que também incluem transplantados, doenças reumáticas em uso de corticoides e pessoas com câncer.

Fernando vê com estranheza a separação das pessoas que vivem com HIV por idade, enquanto não ocorreu o mesmo no caso dos transplantados, já que ambos se enquadram no grupo dos imunossuprimidos.

"Aí já começa tudo errado porque, se a gente entra no grupo de imunossuprimidos, como pessoas transplantadas etc., em teoria tem que seguir a mesma regra, não separar por idade, algo que só foi aplicado ao grupo com HIV."

Segundo o calendário do estado de São Paulo, o grupo das pessoas com comorbidades que têm entre 45 e 49 anos começarão a se vacinar a partir de 21 de maio. Cada cidade se organiza a partir das recomendações do calendário estadual.

O município de São Paulo informou que os documentos com orientações "passam por atualizações constantes, para garantir maior efetividade de vacinação".

* O nome foi alterado a pedido do entrevistado.

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