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3ª onda seria a pior do país, diz presidente dos secretários de saúde

Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão, teme pela 3ª onda de covid-19 - Karlos Geromy/Governo do Maranhão
Carlos Eduardo Lula, secretário de Saúde do Maranhão, teme pela 3ª onda de covid-19 Imagem: Karlos Geromy/Governo do Maranhão

Colaboração para o UOL

19/05/2021 08h50

Carlos Lula, secretário de Saúde estadual do Maranhão e presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), afirmou que uma terceira onda de covid-19 no país poderia ser pior do que as anteriores. Em entrevista ao jornal O Globo, o secretário falou também que alguns estados já emendaram em uma quarta onda da doença.

Para o presidente do Conass, as próximas semanas serão cruciais e a ajuda da população, por meio de distanciamento social, é importante. "Uma terceira onda seria muito pior do que esses dois momentos que a gente já viveu", falou.

Segundo Carlos Lula, o grupo de secretários de saúde considera a terceira onda uma realidade que se aproxima e tenta se preparar para ela. "Uma diminuição passou uma falsa impressão para as pessoas de que o pior da pandemia passou. Só que não passou. A gente estabilizou num número muito alto de casos e mortes", afirmou.

Ele apontou também que essa taxa vem aumentando novamente e que estados, como o Espírito Santo, estão a caminho da quarta onda de coronavírus. O secretário do Maranhão disse ser hora de repensar medidas de isolamento social. "Não dá para a gente ignorar o fato de que a gente tem uma vacinação lenta no país, que vai diminuir seu ritmo nas próximas duas semanas", pontuou.

Caso haja altos níveis de contágio e óbitos por covid-19 novamente, o presidente da Conass aponta que o maior insumo em falta é o kit intubação. Nos hospitais brasileiros, a quantidade existente basta para a rotina de agora, mas não para combater outra crise do vírus.

O órgão já tinha tentado comprar imunizantes por conta própria, incluindo a Sputnik V, que não teve aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "O que era para ter sido feito era o governo federal adiantar suas compras. Nós, os entes subnacionais, não temos mais oferta de vacina", lamentou.

Carlos Lula afirmou existir um bom diálogo entre o Conass e o Ministério da Saúde. "O problema é que, muitas vezes, ações são bloqueadas pelo presidente da República", falou. Outra crítica do presidente do órgão é o foco do Ministério na CPI da covid, em vez de "se preocupar neste momento em vacinar mais pessoas, e mais rápido". Para o secretário, a vacinação é o caminho para conter a pandemia.

Ele ainda reprovou a falta de ação do ministério em articular compras dos imunizantes sobressalentes, especialmente de AstraZeneca, da Europa e dos Estados Unidos. "Cadê a interlocução para fazer um acordo com os EUA e tentar pegar o excedente de vacinas de lá? Falta às vezes proatividade para o governo federal tentar tomar medidas se antecipando ao problema, sem esperar acontecer", criticou.

Outro ponto de desaprovação, para Carlos Lula, é a pouca verba dos agentes subnacionais e a necessidade de fazer pressão para ter algum tipo de financiamento. "A gente viveu o pior momento da pandemia sem o governo federal aportar nada de recursos para estados e municípios", disse.

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