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1 mês

Vivemos uma balbúrdia federal, diz ex-presidente da Anvisa sobre vacinação

Do UOL, em São Paulo

02/06/2021 08h59Atualizada em 02/06/2021 09h20

O ex-presidente da Anvisa e médico sanitarista, Gonzalo Vecina Neto, disse hoje que o Brasil vive uma "balbúrdia federal" por falta de liderança do governo e do Ministério da Saúde para seguir o PNI (Plano Nacional de Imunização).

"Os municípios estão tendo que tomar decisão e é óbvio que uns tomam decisões corretas e outros tomam decisões absurdas. Estamos vivendo um clima de barata voa, uma balbúrdia federal por falta de governo federal e do Ministério da Saúde", disse Vecina ao UOL News.

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O médico lamenta o Brasil estar "se perdendo" para aplicar 50 milhões de doses, mesmo com capacidade para aplicar 300 milhões de doses de vacina previstas anualmente pelo PNI. Segundo Vecina, o problema está na falta de coordenação.

"O piloto de um avião não é mais um passageiro. Então precisa ter governo para que essas coisas funcionem. Essa questão da falta de governabilidade terá consequências muito ruins."

Apesar de um recorde no número de doses distribuídas pelo Ministério da Saúde em março, a vacinação no Brasil desacelerou. A média diária de aplicação de doses no mês passado foi menor do que a de abril. Foram 662.600 por dia contra 822.300 no mês anterior, queda de cerca de 19%.

Vecina ainda ressaltou que a vacinação no Brasil está reforçando a desigualdade. "Acho que a vacina está se transformando em um privilégio. Evidentemente estamos vacinando muito mais brancos do que negros principalmente pelo critério de idade. Muito menos negros chegam a idade mais velha por uma simples questão de que os pobres morrem antes. Então os critérios que estamos utilizando reforçam a desigualdade em grande medida".

Para o médico, "se tivéssemos o PNI funcionando", o governo teria discutido esses problemas com a sociedade.

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