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Para municípios de SP, é 'ilógico' propor reserva de vacina para 2ª dose

Pessoas aguardam por vacina na UBS Parque do Engenho II, na zona sul de São Paulo, em foto de junho - Lucas Borges Teixeira/UOL
Pessoas aguardam por vacina na UBS Parque do Engenho II, na zona sul de São Paulo, em foto de junho Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Do UOL, em São Paulo

11/09/2021 19h54Atualizada em 11/09/2021 20h31

Com a falta de imunizantes para a segunda dose em São Paulo e ao menos outros quatro estados brasileiros, segundo levantamento do UOL, o presidente do Consems-SP (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de São Paulo), Geraldo Reple Sobrinho, disse à CNN Brasil ser "ilógico" propor reserva de vacina tendo em vista as necessidades de imunização dos municípios paulistas.

O argumento de que doses enviadas deveriam ter sido utilizadas foi adotado pelo Ministério da Saúde após a divulgação da falta de doses no estado de São Paulo. Em nota ao UOL, a pasta disse ontem que "não deve segunda dose de vacina contra a covid-19 da AstraZeneca ao estado" e que foram utilizadas vacinas destinadas à segunda dose como se fossem para a primeira.

"Não sei se foi isso que aconteceu, mas em sã consciência, na situação que nós estávamos e estamos, você guardaria uma dose para aplicar daqui três meses, quatro meses? Isso é ilógico", afirmou Sobrinho no início da noite de hoje.

A prefeitura da capital paulista pediu ao governo estadual para receber novas remessas de doses. Mas o estado afirmou ter enviado a quantidade prevista, cobrando o Ministério da Saúde por mais doses e até ameaçando ir ao STF (Supremo Tribunal Federal).

"Vamos pensar a nível de saúde pública, quanto mais pessoas conseguirmos vacinar, mais rapidamente vamos vencer esse vírus. Esse jogo de empurra é muito chato", disse o representante dos municípios.

"Essa falta [da segunda dose] tem causado bastante angústia e, principalmente, com a nossa preocupação com a escalada da variante delta. Nós já sabemos que a efetividade da vacina vem com a segunda dose após 14 dias e quanto antes pudermos fazer isso, menor o risco de termos essa variante delta se alastrando", afirmou.

Pelo menos cinco estados registram falta da vacina AstraZeneca para segunda dose da imunização contra covid-19. Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul informaram ao UOL que há indisponibilidade do imunizante e aguardam envio de mais doses por parte do Ministério da Saúde.

Na capital paulista, por exemplo, o UOL noticiou ontem que 98% dos postos de vacinação não tinham a AstraZeneca disponível. Ao UOL News, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, informou que a cidade precisa de 340 mil doses para aplicar nas pessoas que estão nas faixas etárias previstas para esta e a próxima semana.

Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul também informaram ao UOL que há indisponibilidade do imunizante e aguardam envio de mais doses por parte do Ministério da Saúde.

Procurada pelo UOL, a pasta reiterou que não deve doses a nenhum estado: "As alterações feitas por estados e municípios no PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19), como descumprir o que foi pactuado em reunião tripartite (União, estados e municípios), acarretam na falta de doses para completar o esquema vacinal na população brasileira", diz o texto.

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