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Conteúdo publicado há
1 mês

Risco de miocardite é maior para jovem que pega covid, dizem especialistas

Colaboração para o UOL, no Rio

17/09/2021 13h05Atualizada em 17/09/2021 16h06

O UOL Debate reuniu hoje especialistas para discutirem a vacinação de menores de 18 anos contra o novo coronavírus. A conversa aconteceu em meio à polêmica decisão do Ministério da Saúde de recomendar a suspensão da imunização de adolescentes que não têm comorbidade.

Desde então, médicos e entidades da categoria têm rechaçado a orientação da pasta, defendendo que a vacinação de jovens é segura, alegando que os riscos da falta de imunização são maiores do que possíveis efeitos adversos, como miocardite e pericardite.

"Todo mundo sabe que crianças e adolescentes têm menor chance de efeitos colaterais de covid grave. Isso é um fato reconhecido no mundo. Porém, não é por isso que a gente vai deixar de vacinar os nossos adolescentes, até porque os adolescentes têm tendência natural de aglomerar muito. Eles pegam covid, podem transmitir covid para as populações de maior risco, seus pais, avós, tios", afirmou a pediatra Ana Escobar, que é professora da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

A médica cita estudo publicado pela revista científica JAMA Cardiology, que mostrou que de cada 100 mil jovens vacinados contra a covid, apenas 2,7 apresentam miocardite ou pericardite por causa da imunização. Já dentre os adolescentes infectados pelo novo coronavírus, a pesquisa revela que a incidência dessas doenças é de 11 para cada 100 mil, ou seja, quatro vezes maior.

A probabilidade de se ter miocardite ou pericardite pela vacina é muito inferior à probabilidade de se ter pela covid, comprovadamente em estudos científicos. Por isso não se justifica a suspensão da vacina
Ana Escobar

A miocardite é uma inflamação do músculo cardíaco e pode ser consequência de uma série de infecções virais. Já a pericardite é uma inflamação do pericárdio, uma membrana que envolve e protege o coração, e, na maioria dos casos, é causada por um vírus, como o da gripe, por exemplo.

Casos leves

Para defender a vacinação de menores de 18 anos contra o novo coronavírus, a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, diz que estudos científicos mostram que os jovens que apresentam miocardite desenvolvem o quadro leve da doença.

"Mesmo os casos de pericardite e miocardite que aconteceram e estão descritos mundo afora, em especial nos meninos, tiveram evolução benigna, tratou-se com anti-inflamatório. Está todo mundo de olho, porque vários países estão vacinando e já vacinaram uma grande quantidade de adolescentes. Eles já têm essa experiência para tranquilizar a gente", afirmou a médica.

Concordando com as duas especialistas, o sanitarista e ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Gonzalo Vecina afirma que a probabilidade de algum jovem morrer de miocardite ou pericardite é "muito menor" do que vir a óbito por complicações da covid.

Vacinamos 13,5 milhões de jovens, podemos ter um caso de miocardite ou de pericardite e que pode levar a óbito? Podemos, sabemos disso, mas a probabilidade de isso acontecer é muito menor do que a probabilidade de morrer da doença
Gonzalo Vecina

Vacinação a partir de 6 meses

Os médicos ouvidos no UOL Debate foram além do atual esquema de vacinação de jovens no país, que até o momento só prevê a imunização em adolescentes de 12 a 17 anos. Para eles, essa faixa etária deve ser reduzida em breve.

"As crianças estão respondendo muito bem as vacinas, por isso em alguns locais as vacinas para crianças menores já começaram, com segurança e efetividade. Esse grupo responde muito bem. Não tenho a menor duvida de que até o final do ano, já devemos ter outras vacinas também liberadas para as crianças, muito possivelmente para crianças acima de 6 meses, como acontece com a vacina da gripe", afirmou Ana Escobar.

Atualmente, a Anvisa liberou apenas a Pfizer para imunização de jovens de 12 a 17 anos no país. No mês passado, por falta de mais informações, a agência negou o pedido do Instituto Butantan para a aplicação da CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.

A vacina das crianças vai ser a CoronaVac. Estava na hora, inclusive, da Anvisa revisitar o seu 'não' aos estudos de fase 1 e 2 que os chineses apresentaram, dada a experiência que os chilenos estão tendo e que os próprios chineses estão tendo administrando essa vacina na população deles
Gonzalo Vecina

Ao defender a aplicação da CoronaVac nas crianças e adolescentes, a pediatra Ana Escobar também cita o Chile e a China como exemplos de vacinação dessa faixa etária.

"A CoronaVac é uma metodologia que já é conhecida e a gente sabe que as crianças respondem bem. De fato, a CoronaVac é uma vacina que nessa faixa etária deve ser muito segura. Vai dar para todo mundo ficar tranquilo", afirmou a pediatra.

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