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Prevent Senior: após acusação, ANS faz diligência na sede da operadora

Movimentação em Hospital da Prevent Senior, na zona sul de São Paulo - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Movimentação em Hospital da Prevent Senior, na zona sul de São Paulo Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL*, em São Paulo

17/09/2021 19h43Atualizada em 17/09/2021 21h13

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) cumpriu diligências hoje no principal endereço da operadora de planos de saúde Prevent Senior em São Paulo.

Segundo a agência, a fiscalização durou cerca de quatro horas, e as servidoras recolheram documentos e pediram esclarecimentos sobre as "denúncias sobre cerceamento ao exercício da atividade médica aos prestadores vinculados à rede própria da operadora, e sobre a assinatura de termo de consentimento, pelos beneficiários atendidos na rede própria, para a prescrição do chamado 'Kit Covid'".

A ANS deu cinco dias para que a rede apresente informações complementares.

A operadora é acusada de ocultar mortes de pacientes que participaram, sem conhecimento, de um estudo para testar a eficácia da hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento da covid-19. As informações foram obtidas pela GloboNews, que teve acesso a um dossiê da CPI da Covid no Senado.

Segundo os documentos, a disseminação da cloroquina e outros medicamentos é resultado de um acordo entre o plano de saúde e o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, a Prevent Senior comentou as diligências feitas pela ANS e disse que "sempre prestou e prestará todos os esclarecimentos, para que a agência cumpra sua importante missão institucional."

Dossiê

Um grupo de 15 médicos que dizem ter trabalhado na Prevent Senior encaminhou para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado um dossiê no qual informa que integrantes do chamado "gabinete paralelo" do governo de Jair Bolsonaro usaram a operadora de saúde como uma espécie de laboratório para comprovar a tese de que o chamado "kit covid" (hidroxicloroquina e azitromicina) era eficiente contra a doença. Eles revelaram também que pacientes não foram informados do tratamento experimental, o que é ilegal.

Segundo eles, nove pacientes morreram, mas o estudo relata que foram apenas dois casos. Essa pesquisa foi citada por Bolsonaro como prova da sua falsa tese de que as pessoas não precisavam fazer quarentena ou usar máscara porque a combinação de cloroquina e azitromicina curaria a doença, o que contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O documento sob análise da CPI não é apócrifo. Dele constam os nomes dos 15 médicos e uma série de mensagens de WhatsApp apresentadas como prova. Uma delas é do diretor da Prevent, Fernando Oikawa. "Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa", orientou o executivo no grupo de médicos, segundo revelou a GloboNews.

*Com Estadão Conteúdo

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