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1 mês

Revista: ministro do Turismo usa covid de Queiroga para criticar Butantan

Gilson Machado Neto, ministro do Turismo                              - ISAC NóBREGA/PR
Gilson Machado Neto, ministro do Turismo Imagem: ISAC NóBREGA/PR

Do UOL, em São Paulo

23/09/2021 20h40

O ministro do Turismo, Gilson Machado, usou o teste positivo de covid-19 do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para questionar quem deveria pagar as diárias dele, que terá de ficar em um período de quarentena, em Nova York (EUA), após o diagnóstico. A declaração de Gilson Machado foi feita durante entrevista à revista "Veja".

Quem deveria pagar as diárias de Queiroga em Nova York, o governo federal ou o fabricante das vacinas que ele tomou e da máscara que ele usou? Ministro do Turismo, Gilson Machado, em entrevista à Veja

Segundo a publicação, Queiroga teria tomado as duas doses do imunizante CoronaVac, produzido pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Daí a alfinetada de Gilson Machado.

Queiroga estava na comitiva que acompanhava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Por telefone, ele disse à colunista Carla Araújo, do UOL que não apresenta sintomas da doença provocada pelo coronavírus.

Nas redes sociais, muitas pessoas começaram a levantar dúvidas sobre a eficácia da vacina —assim como sugere a declaração do ministro do Turismo— já que Queiroga, imunizado, foi infectado, e Bolsonaro, que não tomou a vacina, não.

Mas o ministro ter pegado covid-19 não significa que a vacina não funciona e o fato de ele não apresentar sintomas mostra que a vacinação está cumprindo seu papel, conforme resumiu o VivaBem, plataforma de saúde e bem-estar do UOL.

Queiroga já recebeu as duas doses da vacina contra a covid-19, mas, com o vírus circulando, assim como quem não recebeu nenhuma dose, há risco de ser infectado. A diferença está em como o organismo de alguém como ele, já imunizado, é atingido pela doença. Repetimos: muitos não desenvolvem sintomas —como o próprio ministro— e ficam protegidos de evoluções graves.

A Coronavac teve o uso emergencial aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) após testes que demonstraram a eficácia global de 50,38% — isso representa a proporção de pessoas que não foram infectadas após tomarem a vacina.

Desde então, outras pesquisas científicas foram realizadas para avaliar a vacina. Um estudo de efetividade conduzido pelo Instituto Butantan na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, vacinou cerca de 75% da população adulta e observou quedas de 80% nos casos sintomáticos de covid e de 86% nas internações, além de reduzir as mortes em 95%.

Outra pesquisa, feita no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, mostra que houve queda de 80% nos casos de covid entre 22 mil funcionários vacinados com a Coronavac, mesmo tratando-se de agentes de saúde constantemente expostos ao vírus.

Importante ressaltar que nenhuma vacina garante 100% de imunidade contra uma doença. O propósito delas é tornar o contato do sistema imunológico com o vírus mais seguro e reduzir internações e mortes. Quanto maior a quantidade de pessoas vacinadas, menores as chances de o vírus continuar circulando. O que permite a erradicação de uma doença — ou redução dos casos — é a ampla cobertura vacinal. Ou seja: quanto mais pessoas protegidas, menor a circulação do vírus.

Quarentena sairá o olho da cara

Segundo apuração do jornal "Folha de S.Paulo", a quarentena do ministro Marcelo Queiroga, em Nova York, deverá custar ao menos R$ 30 mil apenas em hospedagem. O quarto mais barato no hotel onde ele está hospedado, o Intercontinental Barclay, durante 14 dias (período recomendado pela Anvisa), custa ao menos US$ 5.735, de acordo com cotação feita junto ao hotel.

Além das diárias, cujo valor médio é US$ 269 (R$ 1.418) para o quarto comum, o preço inclui taxa de amenidades (US$ 35/dia), café da manhã (US$ 50/dia) e impostos.

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