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Saúde

SP exige urgência para vacinar criança; pedido é de fabricante, diz Anvisa

Ana Paula Bimbati, Leonardo Martins e Henrique Sales Barros

Do UOL, em São Paulo

03/11/2021 13h21

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo enviou um ofício à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na tarde de hoje em que pede "máxima urgência" para a análise e liberação da vacina contra covid-19 para crianças de 5 a 11 anos. A agência, no entanto, afirmou que quem deve pedir autorização do uso do imunizante em um novo público é o laboratório fabricante.

"Diante da apresentação da solicitação pelo fabricante Pfizer para inclusão em bula da indicação da vacina para crianças com 5 anos ou mais, e toda documentação pertinente, que esta pauta seja tratada com máxima urgência por essa agência, de modo a proporcionar à vacinação em tempo oportuno", diz o trecho final do documento assinado pelo secretário Jean Gorinchteyn.

Em coletiva no começo da tarde, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), já havia afirmado que seu governo pediria à Anvisa que "libere e autorize com urgência" a imunização das crianças. Mas, logo depois, a própria Anvisa disse que o laboratório responsável deve fazer o pedido (leia mais abaixo). Até agora, nenhum imunizante teve aval no Brasil para ser utilizado neste público.

A agência confirmou ter recebido o ofício enviado pelo governo paulista hoje, mas ainda não tem um novo pedido de liberação de vacina contra o novo coronavírus de algum laboratório.

A solicitação para a inclusão de uma nova indicação de faixa etária na bula de uma vacina depende da apresentação de dados clínicos e científicos que sustentem a segurança e eficácia desta vacina para o público infantil. Por isso, o pedido de nova indicação deve ser feito pelo laboratório farmacêutico responsável pela vacina."
Nota enviada pela Anvisa à reportagem

'É uma unanimidade', diz governo de SP

Também durante a coletiva de imprensa, a coordenadora do PEI (Plano Estadual de Imunização), Regiane de Paula, disse que "é uma unanimidade entre todos os estados [do Brasil] fazer a vacinação" das crianças.

"A Anvisa deve receber nos próximos dias uma solicitação também da Pfizer para que possa aprovar essa vacinação para essa população", declarou. "São Paulo tem condições, junto com os municípios, de iniciar essa vacinação de quem tem 5 a 11 anos."

Ao UOL, a Pfizer disse, em nota, que o pedido de vacinação de crianças à agência deve acontecer "ao longo do mês de novembro".

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, defendeu novamente o uso da CoronaVac neste grupo e disse que os dados da vacina, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, estão disponíveis à agência.

"A CoronaVac é a vacina mais segura para uso de crianças e adolescentes, na faixa de 3 a 17 anos. É a vacina que foi mais aplicada nessa população no mundo, e já em uso no Chile desde setembro", afirmou. "Existe já um perfil de segurança demonstrado. Esses dados têm sido disponibilizados para a Anvisa conforme são gerados."

Na mesma nota enviada à reportagem, no entanto, a Anvisa diz que já negou o uso deste imunizante para a faixa etária de 5 a 11 anos.

"Até o momento, o único pedido de aprovação de vacina covid para menores de 12 anos recebido pela Anvisa foi para a vacina CoronaVac. Este pedido já foi analisado e negado, tendo em consideração as limitações dos dados apresentados à época e apresentados em reunião pública da Anvisa", finaliza a agência.

Ontem, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, na tradução do inglês) dos Estados Unidos recomendou, por unanimidade, a aplicação da vacina da Pfizer/BioNTech contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos. Com o aval, a campanha para este público —estimado em 28 milhões de pessoas— pode começar já a partir de hoje naquele país.

O governo paulista argumenta que países mais próximos, como Chile, Argentina e Colômbia, já começaram a imunizar crianças.

Aqui, por enquanto, a Anvisa liberou a vacinação de adultos e adolescentes de 12 a 17 anos —estes últimos, apenas com o imunizante da Pfizer.

Queda nos números

Segundo o consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, mais de 116,2 milhões de brasileiros completaram a vacinação contra a covid-19 até ontem. No total, 116.267.212 brasileiros se vacinaram com a segunda dose ou a dose única de imunizante contra a doença —54,5% da população nacional. Os dados foram fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

No estado de São Paulo, de acordo com o governo, até o início da tarde de hoje, 83% dos moradores receberam ao menos uma dose da vacina e 68,5% completaram o esquema vacinal.

Doria afirmou que houve uma queda de 93% nas mortes por causa da covid-19, comparando o início de novembro e o início de abril deste ano. Ontem, a Secretaria Estadual da Saúde registrou 62 óbitos, contra 890 em 1º de abril. Vale ressaltar, no entanto, que os estados costumam computar menos mortes e casos em dias de folga —como o Dia de Finados, em 2 de novembro.

O governador citou também indicadores do mês passado. "Outubro foi o número com menos mortes por covid-19 desde abril de 2020, no início da pandemia no Brasil. Em abril do ano passado, São Paulo teve 2.239 mortes", disse. "Agora, em outubro, foram 2.192 pessoas que, infelizmente, perderam a vida para a covid-19. Mas seguimos caindo, em queda."

Para o governo, a vacinação impulsionou a queda nos números.

Se queremos promover um controle adequado da pandemia, temos que vacinar toda nossa população. Só assim estaremos progredindo de uma forma muito mais segura no controle da circulação do vírus, impossibilitando o surgimento de novas variantes."
Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde

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