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Bolsonaro questiona apoiador que perdeu pai por covid: Ele não tomou nada?

Do UOL, em São Paulo

23/11/2021 11h39Atualizada em 23/11/2021 14h41

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a adotar, em conversa com apoiadores, uma postura sobre a pandemia do novo coronavírus que é refutada pela comunidade científica e não encontra respaldo em evidências científicas.

Um apoiador que estava na frente do Palácio da Alvorada, na manhã de hoje, contou, com a voz embargada, que seu pai havia morrido de covid-19, o que gerou dois questionamentos do presidente: se o familiar "já tinha algum problema" e se "não tinha tomado nada". Na sequência, o chefe do Executivo reclamou de uma suposta falta de "autonomia dos médicos" para tratar da doença.

Veja a conversa na íntegra:

Apoiador, com a voz embargada: "Infelizmente perdi meu pai por covid"
Bolsonaro: "Ele já tinha algum problema, não? Ele não tomou nada? Tomou nada?"
Apoiador: "Não, o governo do Maranhão bloqueou na época os remédios..."
Bolsonaro: "Em vez de respeitar a autonomia dos médicos..."

Apesar de não falar de forma direta, as perguntas de Bolsonaro estão alinhadas com a sua defesa de medicamentos ineficazes para o tratamento contra a covid-19, como a ivermectina e a cloroquina.

Ao longo da pandemia, o presidente insiste no chamado "tratamento precoce" e, de forma reiterada, faz uma falsa associação entre mortes por covid-19 a pacientes que não tomaram esses medicamentos, que tiveram a ineficácia comprovada em testes científicos.

A hidroxicloroquina, uma das medicações mais citadas pelo presidente, é contraindicada em casos de covid pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pela maioria dos fabricantes brasileiros.

Ao falar sobre "autonomia médica", Bolsonaro também repete o discurso em defesa do que frequentemente chama de tratamento 'off label' (fora da bula). Porém, com o resultado de pesquisas que comprovaram a ineficácia dos medicamentes e os efeitos colaterais de seu uso, especialistas afirmam que a hipótese não se encaixa para o combate da covid-19.

Além disso, Bolsonaro ignora que o CFM (Conselho Federal de Medicina) aprovou um parecer no ano passado dando autonomia aos médicos que queiram receitar as medicações, desde que os pacientes tenham ciência de possíveis efeitos colaterais. No entanto, o conselho não recomenda o suposto "tratamento precoce".

Por último, ao questionar se o pai do apoiador já tinha "algum problema", Bolsonaro repete outro trecho frequente de seu discurso, tentando relacionar equivocadamente as mortes por covid-19 a condições preexistentes dos pacientes.

Apesar de fatores como a idade do paciente e comorbidades serem considerados um complicador para o tratamento da doença, especialistas são unânimes em apontar que qualquer pessoa, independente de sua condição, está sujeita a ter complicações da covid-19.

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