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Coronavírus

Sem aval da Anvisa, SP reserva 12 mi de doses da CoronaVac para crianças

Doria acompanha entrega de doses da vacina do Butantan ao Ministério da Saúde, em julho - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Doria acompanha entrega de doses da vacina do Butantan ao Ministério da Saúde, em julho Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Henrique Sales Barros e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

08/12/2021 13h05

O governo de São Paulo reservou 12 milhões de doses da CoronaVac para imunizar crianças entre 3 e 11 anos contra a covid-19. A aplicação deste imunizante em crianças ainda não foi liberada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Atualmente, as vacinas contra covid-19 só foram autorizadas no Brasil para adolescentes a partir de 12 anos. O único imunizante aprovado é o da Pfizer. O Instituto Butantan já pediu a liberação da CoronaVac para crianças e adolescentes à Anvisa, em agosto, mas recebeu uma negativa.

O anúncio da reserva das vacinas —que estão paradas— foi feito hoje pelo governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. A CoronaVac é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Butantan, que é ligado ao governo paulista.

"O Butantan fará o encaminhamento à Anvisa de nova solicitação para a aplicação da CoronaVac, da vacina que já foi aplicada em 110 milhões de braços. Lembrando que o primeiro pedido foi protocolado em agosto e, agora, [será feito] um segundo pedido, acompanhado pelos estudos da Sinovac", disse Doria. "O Butantan entende que é hora de iniciar a vacinação de crianças no país, e a CoronaVac se mostra segura e adequada para isso."

O governador argumentou ainda que a CoronaVac já foi liberada em crianças em cinco países:

  • China,
  • Chile,
  • Equador,
  • Filipinas, e
  • Malásia.

Segundo Dimas Covas, diretor do Butantan, o novo pedido de autorização deverá ser entregue à Anvisa na semana que vem.

"O documento de encaminhamento está na fase final de elaboração com os dados de imunogenicidade, que foi um dos documentos solicitados pela Anvisa. Na próxima semana, toda essa documentação será novamente apresentada e esperamos desta vez com um resultado positivo, para que haja essa liberação o mais rápido possível", declarou Covas.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a quantidade reservada é suficiente para imunizar todas as 5,1 milhões de crianças nestas faixas etárias do estado. "O excedente deve ser negociado pelo Instituto Butantan com outros países, estados e municípios do Brasil", diz a pasta.

"A CoronaVac é a mais segura para essa população, a que tem menos reações adversas e essa população responde de forma bastante acentuada a questão da imunidade. Já existem inúmeros estudos nesse sentido", afirma o pesquisador.

Na entrevista, Doria e sua equipe criticaram o governo de Jair Bolsonarop (PL) —provável concorrente do governador paulista na disputa pela Presidência da República no ano que vem.

"O ministro negacionista responsável pelo Ministério da Saúde usa argumentos que não são válidos para desqualificar essa vacina [CoronaVac], então é mais um erro, e um erro agora documentado. Fizemos a oferta oficial por ofício e houve a negativa oficial por ofício", disse o tucano. "Mais uma vez, o Ministério da Saúde com o seu ministro negacionista nega a aquisição de uma vacina que é tão importante no combate a epidemia aqui no Brasil."

Doria ainda afirmou que o Instituto Butantan vai doar à Prefeitura do Rio de Janeiro 400 mil doses de vacina contra a gripe. A medida visa combater o surto da doença que afeta a cidade. A doação é uma resposta ao pedido feito pelo secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz. Em entrevista à TV Globo, Soranz afirmou que buscou diretamente o Butantan após não obter retorno do Ministério da Saúde.

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