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Coriza e espera de 4h: Pacientes com sintomas gripais lotam UBSs em SP

07.01.22 - Movimentação na UBS Santa Cecília, centro de São Paulo; casos de covid voltam a subir - Lucas Borges Teixeira /UOL
07.01.22 - Movimentação na UBS Santa Cecília, centro de São Paulo; casos de covid voltam a subir Imagem: Lucas Borges Teixeira /UOL

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

08/01/2022 04h00

Com coriza e tosse, a barista Liziane Carlos, 34, esperava havia cerca de duas horas por uma avaliação médica na UBS (Unidade Básica de Saúde) Santa Cecília, no centro de São Paulo, na última sexta (7). Ela não estava sozinha. Quase 70 mil pessoas procuraram as 469 unidades de saúde da cidade por causa de sintomas respiratórios só nos primeiros sete dias de 2022 — em média, 20 pessoas por UBS, por dia.

As unidades da capital paulista voltaram a apresentar filas e lotação na primeira semana do ano. Os funcionários lamentam que o movimento intenso, que no segundo semestre do ano passado foi provocado pela busca por vacina, voltou a ser suspeita de covid-19.

O aumento se dá em meio à transmissão comunitária da variante ômicron no Brasil. Com a explosão de casos, a Prefeitura de São Paulo cancelou a realização do Carnaval de rua, mas descartou a possibilidade de a capital paulista adotar medidas mais restritivas, como as decretadas em 2020 e no primeiro semestre de 2021.

Gripe ou covid?

Na entrada da UBS Santa Cecília, pacientes com sintomas gripais —seja os que procuravam por consulta ou os que queriam um exame diagnóstico para descobrir se aquela tosse é covid ou influenza—, se misturavam com quem tinha consulta marcada de outras especialidades na AME (Ambulatório Médico de Especialidades) homônima, que funciona no mesmo prédio.

Em um anexo ao lado, duas filas grandes eram formadas por assintomáticos que procuravam por vacinação: ou a terceira dose contra a covid e ou a dose contra influenza. No interior, funcionários tentavam organizar as demandas.

"Eu trabalhei em uma festa no ano novo e comecei a sentir o nariz entupido logo no meio da semana. Como estourou essa onda de gripe e não parou, eu preferi ver o que é, para ver se posso trabalhar. Me preocupo com minha filha", conta Liziane, com coriza há três dias. Sua senha, por volta das 16h, já passava de 600.

Ela estava longe de ser exceção. De acordo com a secretaria municipal, dos 69.505 atendimentos a pessoas com sintomas respiratórios realizados só nos primeiros seis dias de janeiro, 39.666 são suspeitos de covid.

Os números totais da primeira semana do ano ainda não haviam sido divulgados até a noite desta sexta-feira (7), mas a última semana de dezembro registrou 12.177 casos positivos na capital, o maior número desde junho de 2021. A tendência é que, para janeiro, o número cresça.

Na UBS Santa Cecília, a espera para uma avaliação dos sintomas respiratórios durava cerca de quatro horas. Segundo os funcionários, dos três clínicos do setor, dois estavam de licença na semana porque contraíram covid.

Segundo a SMS, até 6 de janeiro, 1.585 profissionais estavam afastados por covid ou síndrome gripal — o correspondente a 1,6% do contingente da saúde púbica da cidade.

Movimentação na UBS Humaitá, região central de São Paulo - Lucas Borges Teixeira /UOL - Lucas Borges Teixeira /UOL
Movimentação na UBS Humaitá, região central de São Paulo
Imagem: Lucas Borges Teixeira /UOL

A maioria dos pacientes nas filas das quatro UBSs visitadas pela reportagem na tarde de sexta aparentava ter entre 20 e 40 anos. Alguns, como Liziane, apresentavam sintomas e queriam uma consulta, outros foram à unidade apenas atrás de um teste, mesmo assintomáticos.

É o caso da lojista Bruna Santos, 27, que foi à UBS Boracea, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Assintomática, ela conta que viajou no feriado e queria testar para covid, mas não podia pagar por teste rápido nas farmácias - também em falta em São Paulo - e não tinha plano de saúde.

"Do meu círculo, umas oito ou dez pessoas positivaram [para covid], então a gente fica meio assim, né?", argumenta. Com a espera de pelo menos duas horas para a consulta de avaliação —algo obrigatório—, ela desistiu. "Vou esperar para ver se aparece algum sintoma."

Apesar de ter um movimento muito menos intenso do que a unidade da Santa Cecília, funcionários da UBS Boracea dizem que a busca por diagnósticos com sintomas gripais triplicaram desde o Natal.

"Não para de chegar pessoas com coriza ou tosse. Pode ser gripe, pode ser covid, ninguém sabe. Antes, a lotação [era por causa da] vacina, agora voltou a covid", lamenta uma funcionária que ajuda na triagem.

Movimentação semelhante foi identificada nas UBSs Humaitá e Nossa Senhora do Brasil, ambas na Bela Vista, região central da capital. Fora as filas da vacina - que, na primeira, ocorre fora da unidade —, a principal procura era de pessoas com sintomas gripais.

Recomendações

Aos sintomáticos, a Prefeitura de São Paulo recomenda:

  • Ao sair de casa, use máscara, pode ser de pano feita em casa
  • Utilize lenços descartáveis e jogue-os no lixo após o uso;
  • Cubra sempre o nariz e a boca ao tossir os espirrar;
  • Lave as mãos frequentemente com água e sabão;
  • Evite aglomerações ou locais pouco arejados;
  • Evite tocar olhos, nariz e boca;
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal.

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