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Barra Torres diz que está aberto ao diálogo com Bolsonaro, após ataques

Barra Torres é entrevistado por Andréia Sadi  - Reprodução/Instagram
Barra Torres é entrevistado por Andréia Sadi Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL

13/01/2022 00h41Atualizada em 13/01/2022 08h17

O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, afirmou que ainda tem esperança de que seu "conflito" com o presidente Jair Bolsonaro (PL), após os ataques públicos do presidente da República à Anvisa, seja resolvido, ou que, pelo menos, não interfira na relação de gestor.

"Eu não acredito em ponto sem retorno em nenhuma relação interpessoal. Vamos usar um clichê, um jargão: 'Enquanto há vida, há esperança'. Nós temos uma trajetória de vida, cada um pode rever seus conceitos, contatos, reafirmar. Agora é importante frisar que não é necessário que os gestores nutram um pelo outro algum tipo de relação de amizade", contou Barra Torres a Andréia Sadi, durante entrevista exibida hoje pela GloboNews.

Nem por isso o trabalho deixou de ser feito. O que importa é que os gestores continuem trabalhando em prol do cidadão. A relação funcional não pode ser arranhada.
Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, em entrevista à GloboNews

Barra Torres finalizou o assunto ao dizer que, da parte dele, o canal para o diálogo com o presidente da República está aberto:

"Peço a Deus que ele (Bolsonaro) tenha a visão de que pode conversar, sim, porque nós precisamos nessa luta. A Anvisa é a autoridade máxima brasileira nesse cenário. Anseio pelo momento em que o presidente reveja o conceito que ele emitiu."

O estremecimento entre os dois se deu após os ataques de Jair Bolsonaro à Anvisa quando se iniciou o debate em torno da vacinação infantil. O diretor-presidente da agência lamentou a postura de Bolsonaro.

Passado

Barra Torres contou a Sadi ainda sobre sua experiência passada na Marinha e como isso o preparou para o cargo atual.

"A Marinha me deu uma série de experiências profissionais muito boas, experiências humanas muito boas. Servi na Antártida, embarquei navios de guerra. Foi uma experiência muito boa".

Ele contou como conheceu Bolsonaro, em 2013.

"Eu era vice diretor do hospital naval em 2013 e, num dado dia, o almirante diretor do hospital disse que o deputado Jair Bolsonaro iria vir numa visita oficial e eu iria recebê-lo. Num dado momento, descemos para receber o deputado. Chamou minha atenção que ele veio dirigindo o próprio carro. Ele veio acompanhado dos filhos. Quando estávamos preparando a visita, ele disse o motivo [da vista], que era verificar os equipamentos obtidos por emendas parlamentares. Aquilo chamou minha atenção", contou.

Barra Torres descreveu a relação dos dois —antes dos ataques— como uma amizade no âmbito profissional.

Resposta

O diretor-presidente afirmou ainda que assinar sua resposta ao presidente usando seu título foi apenas uma questão "de métodos".

"De uma forma ou de outra, todos os brasileiros no mundo estão combatendo (a pandemia). Quem fala por uma força armada é o comandante desta. Quem fala pela Marinha é o comandante da Marinha. Então foi apenas uma questão de método. Coloquei meu nome, diretor presidente e Anvisa."

Papel da Anvisa

Barra Torres exaltou a adesão da sociedade à vacinação, mas lembrou que esse não é um papel da Anvisa.

"A adesão voluntária da população à vacinação é latente. E ela é feita pelo gestor do Ministério da Saúde. (...) Tem se colocado muito peso na Anvisa como promotora de uma campanha de vacinação. Anvisa não vacina ninguém", esclareceu o diretor-presidente, afirmando que o que é feito pelo órgão é uma checagem e uma liberação para que o Ministério da Saúde possa, assim, vacinar.

Ataques

Barra Torres lembrou ainda que os ataques a funcionários da Anvisa aumentaram após as declarações do presidente. O diretor-presidente mostrou-se preocupado;

"Quando esse tipo de força é colocado em marcha, ninguém sabe o que vai acontecer."

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