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15 dias

Varíola dos macacos: infectologistas alertam para formas de transmissão

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2022 16h20

A infectologista Rosana Richtmann concedeu entrevista hoje ao UOL News e fez diversos alertas sobre a forma de transmissão da varíola dos macacos. Apesar de não ser a única forma de transmissão, Richtmann destacou a atividade sexual como a mais importante atualmente.

"Estamos vendo no nosso dia a dia que a população onde a maior circulação do vírus nesse momento é a população de homens que fazem sexo com homens. Acho importante que a gente fale abertamente que sim, a forma mais importante de transmissão nesse momento é pela atividade sexual. Não é na relação sexual em termos de transmissão sexual, mas sim no contato pele a pele e no contato íntimo e prolongado durante a atividade sexual", explicou durante participação no UOL News.

Além da atividade sexual, ela também destacou que estudos e impressões preliminares apontam para três grupos considerados como de maior risco para desenvolverem os casos mais graves da doença.

"A nossa maior preocupação com o que temos de casos descritos mundo afora, em especial na experiência da África, seriam casos de crianças e, por exemplo, casos em gestantes, que seriam as populações com mais vulnerabilidade para apresentar as formas clínicas mais graves".

Marco Aurélio Safadi, médico infectologista, também participou do UOL News e disse que, pela "natureza da transmissão" é possível que a varíola dos macacos acabe "se expandindo" para infectar também mulheres e crianças.

Sobre o primeiro óbito confirmado no Brasil, Richtmann apontou que determinados grupos da população devem ter uma atenção especial para as formas de transmissão. "Esse primeiro caso de óbito no Brasil era um paciente do sexo masculino que tinha comorbidades e uma imunossupressão importante. Então, essa população, sejam pacientes vivendo com HIV quando não estão com boa resposta imune, ou pacientes que estão fazendo alguma quimioterapia, é a mais vulnerável para pegar formas mais graves da doença".

Safadi ecoou um pensamento parecido: "São mais de 20 mil casos no mundo e essa é a primeira morte fora do continente africano [esse ano], todas as mortes relatadas na África, foram cinco, vinham como esse caso específico de Uberlândia, de pessoas que convivem com HIV e enfrentam imunossupressão".

A especialista também destacou algumas formas de prevenção da disseminação da doença, sobretudo através de vacinas e, em alguns casos específicos, a utilização de máscaras também.

"Essa doença pode ser transmitida através de gotículas de saliva, mas a gente sabe que esse não é o mais forte em termos de transmissão, então eu diria que a máscara sim deve ser usada, mas em situações específicas. (...) também é importante falar de toalhas e lençóis que são materiais onde o paciente que tem lesões pode ter usado e isso ser compartilhado com outras pessoas, então esse tipo de orientação também é importante para minimizar a circulação e disseminação dessa doença".

Em relação à vacina, Richtmann finalizou explicando que elas podem ser utilizadas inclusive na pós-exposição, e não apenas como uma forma de prevenção para o contágio.

"As vacinas se mostram, à princípio, que podem ser usadas como profilaxia pós-exposição. Então alguém que tenha entrado em contato com um caso sabidamente positivo e seja paciente de risco, a gente teria um tempo. Idealmente até quatro dias após o contato para fazer a vacinação e tentar minimizar o quadro clínico na pessoa que teve contato", finalizou.

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