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Varíola dos macacos: Brasil receberá antiviral para casos graves, diz Saúde

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, diz que Brasil receberá antiviral tecovirimat, desenvolvido especificamente para tratar a varíola dos macacos, mas não estipulou prazo - iStock
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, diz que Brasil receberá antiviral tecovirimat, desenvolvido especificamente para tratar a varíola dos macacos, mas não estipulou prazo Imagem: iStock

Do UOL, em São Paulo

01/08/2022 07h19Atualizada em 01/08/2022 09h28

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou hoje que o Brasil receberá o antiviral tecovirimat, desenvolvido especificamente para tratar a varíola dos macacos, mas não estipulou prazo para a chegada do medicamento. A encomenda foi feita por intermédio da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

Em mensagem no Twitter, Queiroga disse que, num primeiro momento, apenas pessoas com casos mais graves da varíola dos macacos receberão o antiviral. O tecovirimat, aprovado em janeiro de 2022, bloqueia a disseminação do vírus e já é usado em alguns países como tratamento.

O UOL procurou o Ministério da Saúde para saber qual o cronograma de entregas do antiviral tecovirimat, mas aguarda retorno.

Na sexta-feira (29), o Brasil registrava 1.066 casos de varíola dos macacos, a maioria deles em São Paulo e no Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde está tratando a doença como "surto", o primeiro estágio da evolução de contágio, antes de epidemia e pandemia, como a covid-19.

Horas após a confirmação da primeira morte no Brasil por varíola dos macacos, o Ministério da Saúde disse que encomendou 50 mil doses da vacina contra a doença. A expectativa é de que cerca de 20 mil doses cheguem em setembro e o restante em outubro.

A encomenda também foi feita por meio da Opas à farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic, única fabricante da vacina no mundo. Países que já começaram a aplicar o imunizante, como os Estados Unidos, iniciaram as negociações de compra há nove semanas.

O Ministério da Saúde argumenta que a vacinação em massa não é preconizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em países não endêmicos para a enfermidade. A recomendação, até o momento, é que sejam imunizadas pessoas que tiveram contato com casos suspeitos e profissionais de saúde com alto risco ocupacional diante da exposição ao vírus.

A Opas atua como escritório regional da OMS para as Américas.

Estudo indica que antiviral pode ser eficaz contra varíola

Em maio, uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet Infectious Diseases aponta que o antiviral tecovirimat pode ser eficaz em reduzir a transmissibilidade do vírus e a duração dos sintomas da varíola dos macacos.

Os cientistas analisaram sete casos do Reino Unido, de pessoas infectadas entre 2018 e 2021, e observaram a reação dos pacientes a dois antivirais: o brincidofovir e tecovirima. Três pacientes receberam o brincidofovir e um, o tecovirimat (veja abaixo).

Segundo a pesquisa, o paciente que recebeu o tecovirimat apresentou uma resposta clínica mais rápida, menor duração de sintomas e expeliu vírus por menos tempo pelo trato respiratório superior. O tratamento foi iniciado logo após o aparecimendo das lesões cutâneas.

Houve uma relação temporal com as respostas clínicas e virológicas que foram mais rápidas do que aquelas observadas em pacientes não tratados ou tratados com brincidofovir; no entanto, não podemos dizer se isso foi resultado do tratamento com tecovirimat. Uma redução semelhante na contagem de lesões e duração da positividade da PCR no sangue e no trato respiratório superior foi observada em macacos com varíola quando tratados com tecovirimat versus placebo.
Trecho do estudo publicado pela The Lancet Infectious Diseases

A pesquisa não encontrou benefícios no uso do outro remédio testado, o brincidofovir, para tratar a doença. Os pesquisadores ressaltam que o resultado poderia ser mais eficiente caso o antiviral fosse administrado mais cedo ou em dosagem diferente.

Por causa da amostra pequena de pacientes, os autores ressaltaram na época a necessidade de mais pesquisas para determinar o potencial do tecovirimat como tratamento da varíola dos macacos em humanos.

Os casos

Quatro pacientes receberam atendimento médico no Reino Unido entre 2018 e 2019. Três casos foram importados da África Ocidental e o quarto acometeu um profissional de saúde, que se infectou após tratar um paciente sem equipamento de proteção hospitalar.

Os infectados foram tratados com o brincidofovir sete dias após o aparecerem das primeiras lesões na pele, mas nenhum benefício foi observado com o tratamento. Também foram observadas alterações nos exames de fígado após o uso do medicamento.

O profissional de saúde recebeu uma dose da vacina contra varíola no sexto dia pós-exposição, além do antiviral brincidofovir.

Outros três casos foram identificados em uma família (composta por pai, mãe e quatro filhos com menos de 10 anos), que viajaram da Nigéria para o Reino Unido. Durante o período obrigatório de isolamento de 10 dias da covid-19, o homem desenvolveu uma erupção vesicular progressiva e procurou atendimento médico.

Testes confirmaram o diagnóstico de varíola dos macacos. A filha mais nova também desenvolveu febre e erupção vesicular e toda a família foi internada. Vinte e um dias depois, o pai e os três filhos mais velhos receberam alta, mas a mãe pediu permissão para continuar no hospital com a menina.

O tratamento com tecovirimat para a criança foi considerado, mas dispensado pois o antiviral não era licenciado para uso em crianças. No 14º dia de internação, a mãe desenvolveu mal-estar, dor de cabeça, faringite e vesículas em seu tórax. Um teste indicou positivo para varíola.

A mulher recebeu o tecovirimat oral por duas semanas. "O objetivo terapêutico foi prevenir complicações e diminuir o tempo de internação", apontou o estudo científico. "As amostras de sangue e do trato respiratório superior tornaram-se negativas para PCR 48 h após o início do tecovirimat e permaneceram negativas em 72 h".

Nenhuma nova lesão se desenvolveu 24 horas após o início da terapia. A paciente não relatou efeitos adversos e recebeu alta no sétimo dia para completar o tratamento em casa.

Segundo a The Lancet, todos os sete pacientes infectados tiveram casos leves da doença e nenhum teve as complicações mais severas associadas à infecção, como pneumonia ou sepse.

Quais os sintomas da varíola dos macacos?

A doença começa com febre, fadiga, dor de cabeça, dores musculares, ou seja, sintomas inespecíficos e semelhantes a um resfriado ou gripe.

Em geral, de a 1 a 5 dias após o início da febre, aparecem lesões na pele, que são chamadas de exantema ou rash cutâneo (manchas vermelhas). Essas lesões aparecem inicialmente na face, espalhando para outras partes do corpo. Elas vêm acompanhadas de coceira e aumento dos gânglios

Vale ressaltar que uma pessoa é contagiosa até que todas as cascas caiam —as casquinhas contêm material viral infeccioso— e que a pele esteja completamente cicatrizada.

De acordo com a OMS, até o momento, apenas 10% dos pacientes tiveram de ser internados por causa da doença e já são mais de 18 mil casos registrados no planeta.

Como é a transmissão da varíola dos macacos?

A varíola dos macacos não se espalha facilmente entre as pessoas —a proximidade é fator necessário para o contágio. Sendo assim, a doença ocorre quando o indivíduo tem contato muito próximo e direto com um animal infectado (acredita-se que os roedores sejam o principal reservatório animal para os humanos) ou com outros indivíduos infectados por meio das secreções das lesões de pele e mucosas ou gotículas do sistema respiratório.

A transmissão pode ocorrer também pelo contato com objetos contaminados com fluidos das lesões do paciente infectado —isso inclui contato a pele ou material que teve contato com a pele, por exemplo as toalhas ou lençóis usados por alguém doente

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