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Saúde ignora Butantan e prioriza Covax para compra de doses da CoronaVac

04.mai.2021 - Enfermeira aplica vacina contra covid-19 CoronaVac, em São Paulo - Adriano Ishibashi/Estadão Conteúdo
04.mai.2021 - Enfermeira aplica vacina contra covid-19 CoronaVac, em São Paulo Imagem: Adriano Ishibashi/Estadão Conteúdo
Carla Araújo
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Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo e colunista do UOL, em Brasília

02/08/2022 04h00

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O Ministério da Saúde negocia com o consórcio internacional Covax Facility a compra de doses da vacina contra covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech —aqui no Brasil, este imunizante é conhecido como CoronaVac e pode ser fabricado pelo Instituto Butantan, ligado ao governo paulista.

No mês passado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso da CoronaVac em crianças de 3 e 4 anos de idade —é o único imunizante que pode ser aplicado nesta faixa etária. O Butantan afirma que enviou uma proposta de venda de novas doses ao Ministério da Saúde. Segundo o instituto, entretanto, ainda não houve resposta.

Ao UOL, o Ministério da Saúde disse que considera a possibilidade de compra das duas instituições e que a prioridade será de quem puder fornecer doses "em menor tempo".

A CoronaVac foi a primeira vacina contra covid-19 aplicada no Brasil, embora tenha sido alvo críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL). O Butantan interrompeu a produção deste imunizante em outubro de 2021 por não ter recebido novos pedidos. No total, o laboratório entregou mais de 110 milhões de doses ao Ministério da Saúde.

A Anvisa analisa desde 9 de julho o pedido de registro definitivo da CoronaVac. Os outros três imunizantes usados no país já têm esse status: Pfizer, AstraZeneca e Janssen.

Negociação com Covax

O consórcio Covax Facility é liderado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Gavi (Aliança Global de Vacinas) e tem o objetivo de acelerar e distribuir vacinas contra a covid-19 para todos os países do mundo.

Ao UOL, o Gavi confirmou estar em contato com o governo brasileiro, mas não deu detalhes da negociação.

Já o Ministério da Saúde afirma que possui um saldo de vacinas que precisam ser entregues pelo consórcio, e que existe reserva orçamentária para isso desde 2021.

"O Brasil comunicou ao Consórcio da Covax da necessidade de doses e já recebeu uma possível alocação que está sendo avaliada, especialmente quanto ao prazo de validade", escreveu a pasta em nota enviada à reportagem.

Segundo o ministério, a estimativa de doses necessárias para crianças de 3 a 4 anos é de mais de 5,8 milhões. No texto, a pasta disse que há "quantitativo suficiente" para aplicação e que comunicou as unidades da federação para que comecem a vacinação da nova faixa etária com o estoque disponível.

Tratativas estão sendo realizadas considerando a possibilidade de aquisição de ambos [Covax Facility e Instituto Butantan], sendo que a prioridade será dada para aquele que puder fornecer, em menor tempo, o quantitativo necessário para atender o Ministério da Saúde."

Ao UOL, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, negou que haja influência política na possibilidade de não comprar novas doses do Butantan. Ele já havia dito que toma decisões técnicas quando relacionado às vacinas.

Histórico de conflitos

Desde 2020, quando as vacinas contra covid-19 começaram a ser desenvolvidas, não é difícil encontrar declarações de Bolsonaro criticando e levantando desconfiança contra a CoronaVac —tanto pela origem chinesa quanto por acusações falsas de ineficácia.

O então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a assinar um termo de compromisso de compra do imunizante, em outubro daquele ano. E foi desautorizado, no dia seguinte, pelo presidente. "O povo brasileiro não será cobaia de ninguém", publicou, à época, Bolsonaro.

Em meio aos ataques, a vacina virou motivo de embate político entre o presidente e o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB). O governo paulista foi o responsável pela negociação com o laboratório chinês para desenvolver pesquisas, importar os insumos e fabricar este imunizante em território nacional.

Sem resposta

Procurado, o Instituto Butantan informou ao UOL que aguarda posicionamento do ministério sobre a oferta enviada em 13 de julho deste ano.

"Vale ressaltar que o Butantan está importando a quantidade de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) suficiente para produzir as doses de CoronaVac, que servirão para atender ao esquema vacinal primário completo de toda a população brasileira de 3 até os 5 anos", escreveu o órgão.

No último dia 20 de julho, o governo de São Paulo anunciou a importação de 8 mil litros de insumo para produzir 10 milhões de doses de CoronaVac. A previsão do laboratório é que o material chegue ao Brasil ainda neste mês.

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