'Marchas da Dignidade' na Espanha a um mês das eleições

Madri, 28 Mai 2016 (AFP) - Milhars de espanhóis participaram neste sábado das "Marchas da Dignidade", cujo slogan "pão, teto e trabalho" se opõe às chamadas "políticas neoliberais impostas por Bruxelas", a apenas um mês das eleições legislativas.

Em Madri, diferentes marchas se dirigiram à Puerta del Sol com o lema "Por uma rebelião democrática dos povos da Europa. Soberania. Dignidade. Solidariedade". Os manifestantes lotaram a metade da praça.

As primeiras grandes "Marchas da Dignidade", que reuniram dezenas de milhares de pessoas procedentes de todos os pontos do país, foram registradas em 22 de março de 2014 em Madri.

Neste sábado, mais de 125 organizações políticas, sindicais e sociais convocaram novamente manifestações em trinta cidades, de Sevilha a Barcelona, para que as pessoas tornem visível sua indignação.

Com 81 anos, Fedor Asuar, ex-mecânico e membro do sindicato anticapitalista Comissões Operárias, levantava em Madri o cartaz "avós empobrecidos, filhos hipotecados, netos desempregados", e marchava para "defender sua pequena aposentadoria" e contra "a série de cortes em Educação, Saúde...".

Os participantes temiam que, independentemente do governo eleito em 26 de junho, sejam impostas novas reformas e reduções dos serviços públicos, enquanto um em cada cinco espanhóis já vive em situação de risco de pobreza (mais de 22% da população), com menos de 8.011 euros por ano.

Em nome dos 50 coletivos que convocaram a manifestação, Yayo Herrero, professor de 50 anos, leu diante dos presentes parte de um manifesto. "Com a desculpa de uma crise causada pelos bancos, a UE (...) se apoderou da soberania dos países que a compõem (...) obrigando-os a executar políticas contra sua população e a favor do capital".

Outros manifestantes se mobilizaram contra o tratado de livre comércio entre a UE e os Estados Unidos (TTIP) ou por uma verdadeira política de acolhida dos refugiados.

Elena Garzón, de 53 anos e funcionária da Loteria Nacional, decidida a votar pela coalizão de esquerda Unidos Podemos, disse que não sentia os efeitos do crescimento anunciado pelo chefe de governo conservador em fim de mandato, Mariano Rajoy.

"Crescimento econômico, nada. Tenho duas filhas de 26 e 28 anos, uma está desempregada e a outra precisou ir aos Estados Unidos".

O desemprego na Espanha registrou leve alta no primeiro trimestre deste ano, a 21%, contra 20,9% no período outubro-dezembro de 2015.

Este aumento representa 11.900 desempregados a mais.

O número de pessoas procurando emprego ficou em 4,79 milhões, o que também significa a primeira alta em termos absolutos desde o último trimestre de 2014.

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