Milhares de civis presos nos combates na Síria e no Iraque

Beirute, 28 Mai 2016 (AFP) - Dezenas de milhares de civis estão presos em meio aos combates em regiões da Síria e do Iraque, com ONGs e ativistas convocando a comunidade internacional a agir com urgência.

Na província síria de Aleppo, perto da fronteira com a Turquia, cerca de 165.000 deslocados, segundo a ONU, estão ameaçados por uma ofensiva do grupo Estado Islâmico (EI), que conseguiu avançar e tomar localidades rebeldes.

Este avanço do EI ocorre num momento em que os extremistas são alvos, desde terça-feira, de uma ofensiva lançada pelas forças curdo-árabes apoiadas pelos Estados Unidos na província síria de Raqa, onde os civis também procuram locais seguros para se abrigar.

Do outro lado da fronteira, no Iraque, dezenas de milhares de civis estão presos na cidade de Fallujah, controlada pelo EI, que as forças iraquianas, com o apoio aéreo dos Estados Unidos, buscam retomar desde segunda-feira.

Neste contexto de aumento da violência, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a ONG Human Rights Watch e os Médicos Sem Fronteiras, bem como a oposição e ativistas sírios, manifestaram preocupação, especialmente com os deslocados na região de Azaz, na província síria de Aleppo.

É esta cidade, bem como perto de Marea, que o EI quer tomar dos rebeldes sírios. Os extremistas já atingiram os arredores de Marea, 30 km ao sudeste de Azaz, onde os violentos combates continuam, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

"Eles chegaram em tanques", informou à AFP Maamoun Khateeb, um opositor ao regime de Bashar al-Assad. Quinze mil pessoas ainda vivem na cidade.

"A situação nos campos de deslocados em Azaz é muito ruim. O sofrimento não terminará enquanto a fronteira com a Turquia permanecer fechada e os combates prosseguirem nas proximidades".

'Passagem segura'O ACNUR expressou preocupação com "os milhares de civis vulneráveis afetados pelo conflito". O comissariado indicou que alertou as autoridades turcas, que se recusam há meses a abrir a fronteira, e ressaltou o direito dos civis a uma "passagem segura".

A província de Aleppo está dividida entre os vários protagonistas da guerra na Síria, com áreas controladas pelo regime, outras pelos rebeldes sírios, e outras pelo EI ou pelos extremistas rivais da Frente al-Nosra (ramo sírio da Al-Qaeda).

Rússia e Estados Unidos também estão envolvidos no conflito, com Moscou lutando ao lado do regime sírio e os americanos ajudando com sua aviação e expertise as forças "moderadas" e curdas.

No quinto dia da ofensiva lançada pelas Forças Democráticas da Síria (FDS) para expulsar o EI da província de Raqa, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos realizou uma série de ataques a posições jihadistas, de acordo com o OSDH, que informou que 45 jihadistas morreram desde terça-feira.

Ancara criticaAs FDS, de acordo com OSDH, tomaram algumas aldeias, mas não marcaram "avanço estratégico" frente ao EI, grupo responsável por atrocidades terríveis nas áreas sob seu controle na Síria e no Iraque.

Nas áreas sob o seu controle na província de Raqa, o EI proíbe os civis de sair, e desde a última ofensiva reforçou essas restrições. Mas os civis tentaram fugir pelo deserto, pagando atravessadores.

"A violência, medo e privação forçam os sírios a fazer escolhas impossíveis", lamentou o chefe da ONU para as operações militares, Stephen O'Brien, enquanto o conflito na Síria já custou mais de 280.000 vidas e expulsou de suas casas milhões de pessoas desde 2011.

Ante o apoio americano às forças curdas no norte da Síria, a Turquia voltou a criticar este apoio aos combatentes que considera "terroristas".

O presidente Recep Tayyip Erdogan também acusou os Estados Unidos de hipocrisia.

No vizinho Iraque, a situação em Fallujah, 50 quilômetros a oeste de Bagdá, "torna-se mais crítica a cada dia" para os civis, de acordo com o Conselho Norueguês de Refugiados para o Iraque.

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