Adolescente americana morre em ataque na Cisjordânia

Jerusalém, 30 Jun 2016 (AFP) - A adolescente de 13 anos esfaqueada por um palestino em um assentamento judeu na Cisjordânia, nesta quinta-feira (30), é cidadã americana - informou o Departamento de Estado dos EUA, sem especificar se ela também tinha cidadania israelense.

A menina morreu pouco depois de ser transferida para o hospital.

"Agora nós temos confirmado que ela é uma cidadã dos EUA", disse o porta-voz do Departamento, John Kirby, referindo-se à menina identificada como Hallel Yaffa Ariel.

"Esse ato brutal de terrorismo é simplesmente inconcebível. Expressamos nossas sentidas condolências à sua família e a seus amigos", declarou.

Hallel Yaffa Ariel foi esfaqueada várias vezes, em casa, enquanto dormia. Após o ataque, foi levada em estado crítico para um hospital de Jerusalém, onde morreu, segundo o Exército e a imprensa israelenses.

"Depois de se infiltrar na comunidade [de Kyriat Arba], um terrorista entrou em uma casa e matou uma adolescente em seu quarto", relatou o Exército em um comunicado.

O autor do ataque foi morto a tiros pelos guardas da colônia.

O porta-voz do Exército divulgou uma fotografia do quarto da menina, que ela dividia com suas irmãs de 4 e 10 anos, com o colchão e o chão cobertos de sangue.

"Minha filha dormia tranquilamente, em calma, feliz, quando um terrorista veio e a assassinou", declarou a mãe da vítima, Rina Ariel, à imprensa local.

O Ministério palestino da Saúde identificou o autor do ataque como Mohamad Naser Tarayra, um jovem de 19 anos de Bani Naim, um povoado palestino próximo a Hebron.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o episódio como um assassinato "horrível", assim como "os chamados à violência" que levam a esse tipo de ataque.

Em nota divulgada nesta quinta, o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores manifestou sua "profunda preocupação" com a violência.

A França "condena o execrável assassinato de uma jovem israelense na colônia de Kyriat Arba, na Cisjordânia", acrescenta o comunicado da Chancelaria.

"A França expressa sua profunda preocupação diante da continuação da violência e dos atos terroristas. Pedimos a todos para que trabalhem para apaziguar a situação e pôr fim a esse ciclo, que já deixou vítimas demais", completou o porta-voz.

Algumas horas mais tarde, em Netanya, perto de Tel-Aviv, outro palestino originário de Tulkarm, na Cisjordânia, feriu a facadas um homem e uma mulher até ser morto por um transeunte, indicou a Polícia, sem divulgar a nacionalidade dos feridos.

Os Territórios Palestinos, Jerusalém e Israel vivem uma onda de violência desde 1º de outubro, que deixou 211 palestinos e 32 israelenses mortos, segundo um balanço da AFP.

A maioria dos palestinos mortos era responsável, ou suspeito de ter cometido os ataques. Muitos deles foram cometidos com facas e de maneira individual, mas também com armas de fogo, ou lançando carros contra pessoas.

Muitos dos ataques ocorreram na colônia de Kiryat Arba e na cidade vizinha de Hebron, em cujo centro vivem centenas de colonos judeus, junto com mais de 200.000 palestinos.

O número de ataques diminuiu, embora neste mês um dos piores tenha sido cometido, quando palestinos armados mataram quatro pessoas em um popular estabelecimento noturno. Os dois criminosos foram detidos.

'Castigo coletivo', diz Ki-moonOs analistas afirmam que a frustração dos palestinos com a ocupação israelense e com a construção de novas colônias na Cisjordânia, assim como a absoluta falta de avanços nos esforços de paz e a desestruturação de sua liderança, alimentam os distúrbios.

Já Israel alega que os veículos de comunicação e os líderes palestinos são a principal causa da violência.

Em uma visita a Israel e aos Territórios Palestinos nesta semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a recente onda de ataques, classificando-os de "terrorismo".

Ban também convocou Israel a tomar medidas para acabar com as "principais causas relativas à violência", incluindo "a crescente raiva dos palestinos, a paralisia do processo de paz e quase meio século de ocupação".

O secretário-geral considerou que esse bloqueio "asfixia seus habitantes, destrói a economia e impede a reconstrução" dessa estreita zona costeira devastada por três ofensivas israelenses desde 2008.

"É um castigo coletivo, cujos responsáveis deveriam prestar contas", disse Ban, durante sua quarta e última visita a Gaza como secretário-geral da ONU.

Segundo o Banco Mundial e a ONU, o bloqueio aniquilou virtualmente qualquer exportação vinda de Gaza, conduzindo a economia desse pequeno enclave - localizado entre Israel, o Egito e o Mediterrâneo - à beira do abismo, além de privar de movimento a grande maioria de seu 1,9 milhão de habitantes.

A respeito do processo de paz, este se encontra parado desde que a última iniciativa fracassou em 2014.

Um esperado relatório do quarteto diplomático que apoia o processo de paz no Oriente Médio assinala que Israel deve tomar medidas urgentes para deter a expansão de seus assentamentos em territórios palestinos, anunciou o enviado das Nações Unidas para a região, Nickolay Mladenov, nesta quinta-feira (30).

Diante do Conselho de Segurança da ONU, Mladenov declarou que as atuais edificações israelenses na Cisjordânia são uma das três "tendências negativas" que devem ser revertidas rapidamente para manter a esperança de um acordo de paz árabe-israelense viável.

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