Caos e terror no coração de Dallas

Dallas, Estados Unidos, 8 Jul 2016 (AFP) - Uma chuva de tiros e centenas de pessoas aterrorizadas procurando desesperadamente por abrigo: esses poucos minutos de caos no coração de Dallas pareceu durar uma eternidade.

A noite acabava de cair na capital do Texas. Jovens e idosos, negros e brancos, centenas de pessoas marchavam pelas ruas para denunciar as recentes mortes de dois americanos negros mortos a tiros pela polícia em Minnesota e Louisiana.

A manifestação é pacífica, sem confrontos e alguns manifestantes vieram com crianças pequenas, sentadas calmamente em seus carrinhos.

Mas tudo muda em poucos segundos. Rajadas de metralhadora e o pânico imediatamente toma conta da multidão, que tenta se esconder atrás de edifícios ou carros para escapar dos disparos, que parecem estar destinados principalmente aos policiais.

"Eu só vi policiais sendo atingidos. Vi policiais sendo atingidos por tiros, assim, na frente de todos", declarou uma manifestante, Cortney Washington, a filial local da NBC News.

"Começamos a correr e os tiros não paravam. Nós não sabíamos de onde vinham os disparos", relatou.

Clarissa Pyles, uma manifestante de 23 anos, fazia uma pausa em um McDonald's quando os primeiros tiros ressoaram. "Ouvi um pop-pop-pop-pop", pelo menos 30 vezes, afirmou ao Houston Chronicle.

"Eu não sabia o que estava acontecendo. Eu só comecei a correr para salvar minha vida", disse ela.

- Armado até os dentes - Vários atiradores parecem ser responsáveis pelo barulho ensurdecedor dos disparos e ainda mais terrível pelas marcas nas fachadas dos arranha-céus do centro de Dallas, onde o presidente John F. Kennedy foi assassinado em 1963.

"Ele está armado até os dentes": a voz de uma testemunha captada por um vídeo amador dá uma ideia do caos que tomou conta da cidade.

Atrás dele, um carro de polícia corre a toda velocidade, com a sirene gritando.

Um outro vídeo arrepiante foi postado on-line: ele mostra um homem escondido atrás do pilar de um edifício, surgindo de repente pelas costas de um policial para matá-lo com frieza.

Um dos homens armados se refugia em uma universidade no centro da cidade, o El Centro College. Começam as negociações com a polícia, durante as quais o suspeito diz que queria "matar brancos, especialmente os policias brancos", segundo a polícia. Ele alega ter agido sozinho.

No piso térreo da universidade, Patrick Cooper viu o homem armado com um longo fuzil fugir para os próximos andares e atirar.

"Eu estava petrificado. Eu não sabia o que fazer", disse à CNN esta testemunha que logo em seguida fugiu para o banheiro.

"Os tiros vinham de todos os lugares ao meu redor. Primeiro pensei que era fogos de artifício ou algo assim", detalhou.

Depois de horas de negociações infrutíferas, o suspeito de El Centro College é morto por uma bomba-robô guiada pelas forças de ordem.

No total, cinco policiais foram mortos e nove outras pessoas feridas, incluindo sete agentes, neste ataque. O número total de responsáveis ainda não foi determinado pelas autoridades.

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