Síria: cinco curiosidades sobre Aleppo

Beirute, 28 Jul 2016 (AFP) - Situada no norte da Síria, Aleppo poderá ser retomada pelo governo Bashar al-Assad, que mantém cerco total sobre os bairros rebeldes. Segunda maior cidade do país e antiga capital econômica, dividida desde 2012, é uma das mais afetadas pelo conflito que deixou mais de 280.000 mortos no país em cinco anos.

Ponto nevrálgico do conflitoO controle de Aleppo é uma das principais questões nessa guerra, e o Exército fez de sua reconquista uma de suas prioridades.

Para especialistas, o avanço do Exército, apoiado pela Força Aérea russa, é um duro golpe contra os insurgentes e pode representar um ponto de inflexão no conflito.

"Além da catástrofe humanitária, os recentes acontecimentos de Aleppo são muito importantes, politicamente falando", disse recentemente à AFP o diretor de Pesquisa do "think tank" francês Institut de Relations Internationales et Stratégiques (IRIS), Karim Bitar.

"Privados de oxigênio, os rebeldes enfrentarão uma missão impossível, enquanto Bashar al-Assad está consideravelmente mais à vontade do que há alguns meses", completou esse especialista em Oriente Médio e em Política Externa Americana.

Aleppo na guerraRelativamente poupada pelo movimento de contestação lançado em meados de março de 2011, Aleppo foi palco, entre abril e maio seguintes, de manifestações de milhares de estudantes. Os protestos foram rapidamente dispersados.

Em julho de 2012, violentos combates opõem o Exército aos rebeldes do Exército Sírio Livre (ASL), composto de civis que se armaram e de desertores. No início de agosto daquele ano, as tropas legalistas lançam uma ofensiva terrestre, antes da ação de armas pesadas e de bombardeiros.

Desde então, a segunda cidade da Síria se encontra dividida entre setores legalistas, no oeste, e setores controlados pelos rebeldes, no leste.

Além disso, sua rica província é palco de combates entre diferentes protagonistas: extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), ou da Frente Al-Nosra, grupos rebeldes, Exército e milícias pró-governo, combatentes libaneses do Hezbollah, ou curdos.

Uma metrópole devastadaDa outrora pujante cidade e de seu centro histórico conhecido no mundo inteiro, resta apenas um cenário desolador.

Desde dezembro de 2013, o Exército usou "barris de explosivos" contra bairros rebeldes, lançados de helicópteros e de aviões militares, conforme relatos do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) e de militantes. O recurso a essa arma particularmente destruidora e que mata indiscriminadamente é denunciado pela ONU e por ONGs internacionais.

Os rebeldes respondem, por sua vez, com lançamento de foguetes sobre bairros nas mãos do governo.

As condições sanitárias na parte rebelde da cidade são alarmantes, segundo médicos que trabalham na região. Os bombardeios não poupam sequer o pessoal e as instalações médicas.

Cerco 'desastroso'Desde 17 de julho, depois de as forças do governo terem interrompido o derradeiro eixo de abastecimento (a estrada do Castelo), os bairros rebeldes de Aleppo estão completamente cercados.

A medida afetou seus 250.000 habitantes, que enfrentam a escassez de comida, combustível e a explosão dos preços, decorrente da oferta restrita.

Na segunda-feira (25), o embaixador da França na ONU, François Delattre, pediu um cessar-fogo humanitário imediato, comparando a situação de Aleppo à de Sarajevo, durante a guerra da Bósnia (1992-1995).

Nesta quinta (28), Paris e Londres, que apoiam a oposição, pediram o fim do cerco "desastroso" a Aleppo.

Uma cidade multimilenarAleppo é uma das mais antigas cidades do mundo a ter sido constantemente habitada, desde pelo menos 4.000 anos a.C., graças à sua estratégica localização entre o Mediterrâneo e a Mesopotâmia.

Especializada na indústria manufatureira, a metrópole era a segunda cidade do Império Otomano no século XIX.

Inscrita como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1986, e joia da arquitetura militar na Idade Média, a citadela de Aleppo começou a ser edificada no século X. Sua construção levou três séculos.

Em julho de 2015, um trecho de suas muralhas desmoronou em uma explosão. Dois anos antes, confrontos arrasaram o minarete seljuk da mesquita dos Omíadas e, antes disso, um incêndio destruiu parcialmente o "souk" (mercado) de Aleppo, com suas instalações centenárias.

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