Fantasiados de nazistas, alunos de colégio alemão brigam com judeus na Argentina

Em Buenos Aires

  • Reprodução

    Suástica é símbolo nazista

    Suástica é símbolo nazista

Alunos do ensino médico de uma escola alemã na Argentina foram a uma festa à fantasia com suásticas e símbolos nazistas na cidade de Bariloche, onde brigaram com alunos de uma escola judaica, informaram as autoridades.

O caso foi divulgado nesta quinta-feira (25), mas ocorreu na noite de terça-feira em uma boate de Bariloche, 1.600 km a sudoeste de Buenos Aires, cidade que é epicentro de viagens de jovens de ensino médio de todo o país.

Bariloche é uma vila turística aos pés da cordilheira dos Andes, onde já foram encontrados líderes nazistas que escolheram o sul argentino como refúgio para escapar da justiça após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Os adolescentes, que cursam o último ano do colégio Sociedad Escolar y Deportiva Alemana de Lanús (periferia sul de Buenos Aires), compareceram à festa com suásticas pintadas no peito e usaram bigodes imitando o líder nazista Adolf Hitler.

Estudantes do colégio judeu ORT presentes na festa reagiram com empurrões, o que resultou em uma briga na qual todos foram expulsos do local. Um dia depois pediram desculpas pelo ocorrido.

Claudio Avruj, secretário de Direitos Humanos do governo de Mauricio Macri, considerou esse caso como uma amostra "da educação que ainda não ganhou a batalha do antissemitismo".

A diretora da escola alemã, Silvia Fazio, repudiou este feito de maneira incisiva. "Não é suficiente pedir desculpas, terão que reparar este dano com ações", advertiu aos estudantes, que ainda não voltaram para Buenos Aires.

A docente explicou que a escola não organiza, nem participa da viagem e ressaltou que "houve muitos filtros de adultos que falharam, como os pais que acompanhavam o grupo, os coordenadores, as pessoas do local, o motorista" do veículo que os levou. "Há muito para refletir", opinou.

"Não é nem uma piada, nem uma graça, vamos partir do princípio de que refletem uma ideologia que culminou com 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas", disse Cohen Sabban, da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (DAIA).

O líder judeu lembrou que, "se estes jovens tiverem mais de 16 anos, podem sofrer por este ato uma pena de um mês a três anos de prisão porque o que fizeram na Argentina é um crime".

O prefeito de Bariloche, Gustavo Genusso, lamentou o incidente.

"Ficamos preocupados com o fato de jovens deste país terem esta atitude", disse este funcionário a cargo da cidade que foi refúgio do ex-oficial nazista Erich Priebke por quatro décadas, até que em 1995 foi extraditado à Itália e condenado à prisão perpétua.

A Argentina foi um local escolhido pelos nazistas que fugiam dos tribunais. Além de Priebke, foram detectados Joseph Mengele, Walter Kutschmann, Josef Schwammberger, Eduard Roschmann, Wilfred Von Owen, Heinz Henrich Brucher, Ante Pavelic e Dinko Sakic.

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