Maná faz turnê político-musical pelos EUA para incentivar voto latino

Nova York, 25 Out 2016 (AFP) - Maná, banda veterana banda de rock mexicana, que se transformou em feroz defensora dos latinos nos Estados Unidos, sacudiu nesta segunda-feira o Madison Square Garden com um pedido: votem e, de quebra, evitem que o republicano Donald Trump seja eleito presidente.

O estádio lotado de fãs, em sua maioria latinos, a banda cantou velhos hits em espanhol e canções mais recentes durante quase três horas de um show generoso, um dos muitos da turnê "Latino Power Tour", que começou em setembro em San Diego, Califórnia.

A banda, ganhadora de quatro prêmios Grammy e oito Grammys Latinos, tenta desde 2012 incentivar o voto da comunidade latina nos Estados Unidos, potencialmente decisiva mas historicamente baixo.

"Demonstrem seu poder"O cantor Fher Olvera presenteou o público nova-iorquino com suas canções de amor, mas também lançou uma forte mensagem política contra o republicano Donald Trump, que declarou que os mexicanos são traficantes e estupradores, e afirmou querer deportar 11 milhões de imigrantes em situação ilegal que vivem nos Estados Unidos.

"Estamos vivendo um momento histórico porque temos um candidato que não nos quer, que não gosta dos mexicanos", disse Olvera, de 56 anos, quase no final do concerto. A multidão, sempre de pé, aplaudia e celebrava.

"Não queremos que os Estados Unidos se transformem em um país onde vão começar a fazer incursões, aqui e ali, de casa em casa, de negócio em negócio, de cidade em cidade. Perguntado por sua aparência, por seu sobrenome. A polícia dizendo: 'give me your fucking ID' (me dê a porra da sua identidade)", disse Olvera em espanhol, vestindo uma camiseta com a bandeira mexicana.

Sem nunca mencionar a rival de Trump, a democrata Hillary Clinton, que o supera por seis pontos segundo a média das últimas pesquisas, disse: "Não vamos voltar a esses tempos da Alemanha de Hitler. Aqui os latinos são respeitados. Votem e demonstrem seu 'power' (poder)".

Os 27,3 milhões de latinos registrados para votar representam 12% do eleitorado, mas somente cerca de 13 milhões votariam. Se superassem os 15 milhões, seus votos na eleição de 8 de novembro seriam determinantes.

Cerca de 58% dos latinos dizem que vão votar em Hillary e aproximadamente 19%, em Trump, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center. Dos sete estados onde Trump e Hillary disputam voto a voto, três - Arizona, Flórida e Nevada - têm uma grande população latina.

Muitos dos shows da Maná se transformaram em ocasiões para captar novos eleitores graças à associação com organizações como a Voto Latino e Latino Victory, mas não nesta segunda-feira em Nova York, já que o registro já encerrou.

Rock em espanholDiferentemente de outros cantores latinos como Ricky Martin, Shakira e Enrique Iglesias, que passaram a cantar em inglês para conquistar o lucrativo mercado americano, o Maná insiste no espanhol, sem que impeça de encher os grandes estádios.

A única exceção à regra nesta segunda-feira, em Nova York, foi uma mensagem direta no coração da comunidade latina: "Get up, stand up", canção de Bob Marley e Peter Tosh, um hino da luta pelos direitos humanos.

"Rock em espanhol, cabrones! Para que comecem a aprender um pouquinho de espanhol", brincou eufórico o cantor, dirigindo-se aos poucos "gringos" presentes no show.

A banda mexicana, criada em 1986 em Guadalajara e que tem mais de 40 milhões de discos vendidos, tocou em 5 de maio na Casa Branca em um show histórico em homenagem à contribuição dos imigrantes latinos à cultura americana, a convite do presidente Barack Obama.

A turnê, que percorre 18 cidades dos Estados Unidos, acaba em 19 de novembro em Anaheim, Califórnia.

Quase à meia-noite, no final do show, os latinos saíam abraçados às suas bandeiras de México, Cuba, Porto Rico e Colômbia. Dezenas gritavam, cheios de orgulho, "México! México!", enquanto se perdiam entre os letreiros luminosos de Manhattan.

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