Soldados de elite no front da batalha por Mossul

Bartella, Iraque, 26 Out 2016 (AFP) - Cinco soldados avançam em grupo, mirando seus fuzis enquanto se aproximam lentamente de um edifício vazio na beira de uma estrada, em busca de possíveis bombas ou extremistas escondidos em túneis. Sem eles não seria possível chegar a Mossul.

Depois dos combates contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), nos quais costumam estar na linha de frente, alguns dos melhores efetivos das unidades de elite antiterroristas se encarregam de limpar o lugar.

Sua missão é a mais perigosa: passar pela última vez em busca de artefatos explosivos ou de extremistas escondidos na estrada que leva a Mossul a partir das bases iraquianas.

Para fazer sua cobertura nas ruas de Bartella, um povoado cristão já evacuado a leste de Mossul, os blindados avançam em colunas e disparam com armas pesadas.

Avançam lentamente. Estão a alguns metros dos edifícios em uma via na qual pneus ainda pegam fogo. Os disparos não cessam.

"Apontamos para os edifícios suspeitos ou para os cantos" que não conseguimos ver, explica o coronel Mustafá. Por exemplo, as ruas perpendiculares, estes longos corredores a partir dos quais um combatente pode abrir fogo contra eles.

Alto riscoOs homens das unidades de elite antiterroristas são os mais preparados das forças iraquianas, mas os que se ocupam da limpeza são os que mais se destacam entre eles.

"Depois de ter libertado os arredores", zonas extensas de terras e bairros residenciais, "voltamos em sentido contrário para limpar a estrada", explica o oficial Nabil à AFP.

Uma missão de alto risco, porque a maior parte das tropas não está ali para apoiá-los.

À primeira vista é impossível distingui-los, já que seu equipamento de proteção é o mesmo que o dos demais, mas sua formação e seu salário (quase 2.000 dólares) são muito superiores à média das forças armadas locais.

"Foram formados pelos americanos, é outra coisa", constata, um pouco impressionado, o coronel Samer, de uma unidade de blindados do exército iraquiano.

Também herdaram dos americanos equipamentos de última geração.

Como os óculos de visão noturna utilizados pelo soldado Anwar, o jovem motorista do blindado que foi "o primeiro a entrar na luta por Bartella". Ele mostra três impactos causados pelas balas de um franco-atirador do EI.

Para localizar carros-bomba, contam com tablets nos quais reúnem as coordenadas fornecidas pela coalizão internacional, que as obtêm graças às aeronaves que sobrevoam a região.

"Os aviões recuperam as coordenadas e as transmitem a nossos comandantes. Eles, posteriormente, as enviam para nós quando estamos em terra e só nos resta nos aproximarmos com nossos veículos", explica à AFP o sargento Amr.

Por sua vez, o motorista do blindado segue as instruções para se aproximar o máximo possível do edifício na direção do qual convergem. Na torreta há outro militar.

'Missão concluída'Na torreta do blindado, uma metralhadora é montada. "Esquerda, direita, faz uma varredura e dispara", explica o sargento Amr. Os tiros ressoam, várias balas para cada posição assinalada, para verificar se alguém responderá ou algo explodirá. Com o caminho estiver livre, o sargento Amr desembarca do veículo e se junta à pequena unidade, com os fuzis apontando.

Com eles, este cidadão de Bagdá de 27 anos vasculha o terreno, inspeciona o local, e depois sobe novamente no blindado. Partiu há um mês para o front, um dia depois de seu casamento.

"Contamos com especialistas em retirada de minas, são eles que buscam os artefatos", explica o suboficial Hamza, usando um gorro preto com as siglas do "Iraq special forces" e um lenço ao redor do pescoço. "Se nos indicam um carro-bomba, agimos para neutralizá-lo", ou seja, detoná-lo, acrescenta este jovem, que passou seis anos em unidades antiterroristas.

Repentinamente, o sargento Amr deixa o walkie-talkie. "O trabalho terminou. Missão concluída!", afirma. Pouco depois, chegam as rações de arroz. Eles as comem de pé na calçada ou sobre o capô dos blindados.

Ainda é preciso percorrer um longo caminho minado até Mossul. "Apenas cinco ou seis quilômetros" antes de entrar na cidade, anuncia o comandante das unidades antiterroristas.

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