Eleitores da Califórnia também votam sobre sexo, drogas e morte

Em Los Angeles

  • Robyn Beck/ AFP

    Eric Masterson e e Wendy Devine posam para foto durante intervalo de gravação de um filme pornô em Canoga Park, Califórnia

    Eric Masterson e e Wendy Devine posam para foto durante intervalo de gravação de um filme pornô em Canoga Park, Califórnia

Não há dúvida de que Hillary Clinton vencerá na Califórnia, um Estado esmagadoramente democrata. Mas seus eleitores também precisarão decidir sobre outros temas, como sexo, drogas e morte.

Os atores pornôs devem ser obrigados a usar preservativos em seus filmes? A pena de morte deve ser abolida ou facilitada? O uso da maconha para uso recreativo deve ser legalizado?

A Califórnia tem uma longa tradição de apoiar leis através do voto, e no dia 8 de novembro, além do próximo presidente dos Estados Unidos e outros cargos legislativos, a interminável cédula inclui 17 propostas, entre as quais se destacam a possível proibição de sacos plásticos nos mercados e uma maior abertura a uma educação multilíngue.

Ditadura do látex

A Califórnia é a capital do cinema, incluindo o pornográfico. E uma proposta quer obrigar que os atores usem preservativos em suas cenas para evitar que contraiam doenças como HIV, gonorreia, sífilis ou HPV.

"Não se deve ficar doente na prática de seu ofício", explicou à AFP o doutor Gary Richwald, professor universitário e ex-diretor do programa de prevenção de doenças sexuais de Los Angeles.

Qual é o problema de usar um preservativo? Nenhum, respondem na indústria pornográfica. Mas se a proposta passar, qualquer ator ou produtor estará sujeito a uma ação penal apenas por não usar preservativo.

Os atores, que contam com o apoio de várias organizações de prevenção do HIV, apelam ao direito que têm sobre seu corpo e querem que o preservativo seja uma opção, não uma imposição. Defendem o sistema de testes - não obrigatório - a cada 15 dias, que segundo Richwald é pouco confiável, já que os períodos de incubação muitas vezes são mais rápidos.

A caminho da morte

Desde que a Califórnia aprovou sua lei da pena de morte, em 1978, 13 pessoas foram executadas, a última em 2006. Mas tem mais pessoas que qualquer outro estado no corredor da morte: pouco mais de 740.

É cara, ineficiente e inviável, explicou à AFP Don Heller, que ajudou a redigir a legislação há 38 anos e atualmente é defensor de sua abolição. A proposta defende substituir a pena capital pela prisão perpétua.

Mas policiais e promotores defendem não apenas que ela seja mantida, mas que se torne mais rápida.

É uma sentença aplicada apenas "ao pior do pior" da sociedade e quando "a única justiça é que entreguem sua vida", estimou Mike Ramos, promotor da cidade de San Bernardino, onde foi registrado um ataque terrorista que matou 14 pessoas em dezembro de 2015.

Em contraposição à proposta de abolir a pena, que já foi rejeitada em 2012, Ramos e outros promotores e policiais impulsionam outro projeto que também será votado em uma semana e meia para tornar o processo mais rápido.

Nebraska também decide sobre a pena de morte, legal em 31 Estados.

Maconha legal

O uso medicinal da maconha é legal na Califórnia desde 1996, e depois de rejeitar seu uso recreativo em 2000, o tema volta a ser consultado em 8 de novembro. Arizona, Nevada, Massachusetts e Maine também podem se unir a outras cinco entidades federais que já legalizaram a droga mais popular dos Estados Unidos, embora continue sendo ilegal aos olhos do governo federal.

"É hora de legalizá-la, de taxar impostos, de regular a maconha para adultos na Califórnia", afirmou o vice-governador do Estado, Gavin Newsom.

"Não se trata de um debate de hippies", acrescentou. De fato não é: a projeção é que o mercado legal de maconha movimente 7,1 bilhões de dólares e em 2020 supere os 22 bilhões em todo o país, 53% atribuídos à venda para uso recreativo, destacou a empresa especializada Arcview Market Research.

A aprovação na Califórnia - que tem uma economia similar à de qualquer país desenvolvido - será chave para conseguir estes números, assim como para dar um novo impulso ao movimento em nível nacional.

Guerra ecológica

A Califórnia pode se converter no primeiro Estado a proibir o uso de sacos plásticos nos mercados se for ratificada nas urnas uma lei de 2014 que também obriga a cobrar 10 centavos de dólar pelas de papel. A medida já está em prática em várias cidades através de decretos municipais.

Os sacos plásticos estão sempre entre os cinco objetos mais coletados na limpeza da costa californiana.

Mas os industriais do setor afirmam que a medida afetaria os mais pobres - por ter que pagar pelas bolsas - e atingiria os 30.000 empregos que dependem de sua manufatura.

Os californianos votarão igualmente para revogar uma lei que restringe a educação multilíngue nas escolas. Tudo isso num momento em que 25% da população do estado é imigrante e o tema ganha espaço na campanha presidencial.

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