França acaba com a 'Selva' de Calais, mas crise migratória persiste

Calais, França, 31 Out 2016 (AFP) - O acampamento de migrantes de Calais acabou por completo nesta segunda-feira, com as últimas tendas destruídas, mas seu desmantelamento não resolve a questão da chegada dos refugiados na França, como prova a multiplicação de assentamentos informais em Paris.

As autoridades dizem que esta noite, a famosa "Selva" de Calais desaparecerá. Até a semana passada, entre 6.000 a 8.000 migrantes viviam em condições precárias neste acampamento no norte da França, onde aguardavam uma oportunidade para atravessar o Canal da Mancha para se estabelecer no Reino Unido.

Cerca de 5.000 adultos foram reassentados em centros espalhados por toda a França durante uma operação que durou vários dias. Cerca de 1.500 menores de idade foram transferidos para um centro temporário nas proximidades do que resta da "Selva", enquanto sua situação é examinada.

Muitos desses menores, viajando sozinho, afirmam ter parentes no Reino Unido. Por esta razão, nos termos da legislação europeia, poderia fazer valer o seu direito ao reagrupamento familiar.

Mas, após o desmantelado do acampamento de Calais, a atenção voltou-se para Paris, onde há poucos dias novos acampamentos improvisados em um bairro popular no norte da capital não param de crescer, com 2.000 instalados em tendas no meio da rua.

A polícia realizava nesta segunda-feira uma operação de "controle administrativo" nesses acampamentos no XIX distrito da capital, antes de uma evacuação anunciada para esta semana.

Pequenas retroescavadeiras limpavam áreas do acampamento, tirando colchões, papelão e cobertores sujos. "Se não vão nos colocar em abrigos, por que destroem nossas casas"?, perguntava um afegão.

'Situação humanitária dramática'A seis meses das eleições presidenciais, em uma tentativa de fazer esquecer a sua gestão tardia da crise migratória, o presidente François Hollande prometeu no sábado que já não tolerará acampamentos improvisados de migrantes, como o de Calais, algo "que não é digno" da França.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, muito envolvida na questão da acolhida dos refugiados, escreveu uma carta ao governo francês, na qual ressalta a "necessidade absoluta" de desmantelar os acampamentos no norte de Paris, em uma "situação humanitária e sanitária dramática".

Em sua carta, Hidalgo critica o fato de o governo esperar até chegar "a um ponto crítico" para atuar.

Hidalgo, uma espanhola naturalizada francesa, prevê abrir nas próximas semanas um centro de acolhida provisório para 400 pessoas no norte de Paris, que serão posteriormente realojadas em estruturas fora da capital.

Paralelamente, o governo trabalha para criar 9.000 lugares de acolhida adicionais em toda a França. Mas a chegada dessas pessoas despertou a hostilidade dos habitantes de algumas localidades.

Mais de 300.000 migrantes e refugiados cruzaram o Mar Mediterrâneo para chegar às costas europeias em 2016. Ao menos 3.800 morreram ou desapareceram durante esta perigosa travessia, segundo os últimos dados da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR).

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