Hospital destruído e escolas fechadas em ataques do regime sírio em Aleppo

  • karam Al-Masri/AFP

Aleppo, Síria, 19 Nov 2016 (AFP) - O regime sírio submeteu pelo quinto dia consecutivo os bairros rebeldes de Aleppo a bombardeios intensos, que destruíram um dos últimos hospitais da área e obrigaram as escolas a fechar suas portas.

Os foguetes, obuses e barris de explosivos caíam sem trégua sobre a segunda maior cidade da Síria, o que provocava tremores nos edifícios e um barulho assustador.

"As pessoas dormem com o barulho dos bombardeios e acordam com o barulho dos bombardeios", afirma Rami Abdel Rahman, diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que dispõe de uma ampla rede de fontes no país.

"Os moradores não se arriscam a sair de casa".

As tropas do presidente Bashar al-Assad, que dominam os bairros da zona oeste da cidade, desejam reconquistar a qualquer custo a parte leste de Aleppo, dominada pelos rebeldes desde 2012. A cidade, que já foi a capital econômica do país, virou a principal frente de batalha de um conflito que provocou mais de 300 mil mortes desde 2011.

'Bombardeios selvagens'

As escolas da zona leste de Aleppo anunciaram em um comunicado a suspensão das aulas no sábado e domingo para garantir "a segurança dos alunos e professores após os bombardeios selvagens".
 
Nos últimos dias, as bombas atingiram centros médicos e deixaram os 250 mil habitantes que, segundo estimativas, ainda moram nos bairros da zona leste em uma situação cada vez mais dramática.

Na sexta-feira, um bombardeio no bairro rebelde de Maadi destruiu parcialmente um dos últimos hospitais da região. Dois pacientes morreram e vários enfermeiros ficaram feridos.

E o último hospital pediátrico que permanecia aberto teve que ser evacuado, depois de ser atingido por barris de explosivos na quarta-feira, informou a ONG Associação dos Médicos Independentes (ADI), que administra o local.

Um centro dos Capacetes Brancos (socorristas que trabalham na zona rebelde) foi destruído na sexta-feira em bombardeios do regime no bairro de Bab al-Nayrab.

Desde que o exército retomou os ataques na terça-feira, após uma suspensão de um mês, 71 civis morreram em Aleppo, seis deles neste sábado, de acordo com o OSDH.

Na sexta-feira, os principais governantes europeus e o presidente americano Barack Obama pediram o "fim imediato", dos ataques contra a zona leste de Aleppo, onde os habitantes passam fome por culpa do cerco de quatro meses imposto pelo regime.

"As forças do regime querem combinar os bombardeios aéreos e a fome provocada pelo cerco para obter a rendição dos rebeldes", afirma Thomas Pierret, especialista sobre a Síria e professor da Universidade de Edimburgo.

A Rússia, que apoia o regime de Damasco há mais de um ano, não participa nos bombardeios em Aleppo, mas executa uma ofensiva na província de Idleb (noroeste), controlada por uma aliança de rebeldes e jihadistas.

Para muitos analistas, Damasco e seus aliados desejam ganhar tempo antes da posse do futuro presidente americano, Donald Trump, em janeiro de 2017.

"Está claro que Moscou, Damasco e Teerã querem reconquistar rapidamente o leste de Aleppo. O governo dos Estados Unidos está paralisado, querem apresentar a Trump um fato consumado em janeiro", explica Fabrice Balanche, especialista para questões sobre a Síria do Washington Institute, um centro de estudos americano.

Em outra frente de batalha, uma coalizão curdo-árabe iniciou em 5 de novembro uma ofensiva para retomar Raqa do grupo Estado Islâmico (EI), que transformou esta cidade em seu reduto no leste da Síria.

Uma fonte das forças envolvidas na batalha afirmou à agência de notícias AFP que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos forneceu novas armas e também participa diretamente nos combates.

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