Berlineses voltam a frequentar mercado natalino onde ocorreu atentado

Berlim, 22 dez 2016 (AFP) - "O ambiente é sufocante", mas os cidadãos de Berlim procuram ser "fortes" diante do "terrorismo". O mercado natalino da capital alemã, alvo do atentado que deixou 12 mortos na segunda-feira (19) voltou a abrir nesta quinta (22).

As casinhas de madeira instaladas em Breitscheidplatz, próxima a Ku'damm, uma das mais famosas avenidas de Berlim, abriram um pouco antes das 11H00 local (8H00 horário de Brasília) sob céu cinzento.

A dois dias da véspera de Natal, a presença policial era bastante discreta: patrulheiros circulavam entre a multidão, portando armas a tiracolo.

Pela manhã foram instaladas estruturas de concreto para impedir o acesso de qualquer veículo ao local.

"Deixa-nos feliz ver que após um atentado as pessoas são fortes e (...) não se sintam retraídas", disse David Ulbricht, de 24 anos.

No mercado o ambiente é tranquilo e silencioso. As apresentações musicais foram suspensas por respeito às vítimas.

"Percebe-se que o ambiente é sufocante, todo mundo está calado", conta Jan-Philipp Biermann, que vende hambúrgueres e comida asiática no mercado, um dos mais frequentados da capital antes do atentado ocorrido na segunda, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

"A vida volta ao normal, mas todos pensamos no que ocorreu", relata.

Crepes e 'Glühwein'Visivelmente comovidos, os comerciantes têm um semblante sério. Alguns choram, outros se reúnem e se abraçam para se sentirem consolados.

Os mercados natalinos são uma típica tradição da cultura popular alemã.

Diante das casas de madeira, casais, amigos e famílias saboreiam crepes ou salsichas, e brindam com o 'Glühwein', tradicional vinho quente com especiarias.

Em meio ao mercado, as pessoas foram depositando velas, flores e mensagens pessoais em homenagem às vítimas. No centro, uma folha exibe a famosa frase "Ich bin ein Berliner" (Sou Berlinense), pronunciada pelo então presidente americano John F. Kennedy durante sua visita ao oeste de Berlim em junho de 1963, que outrora significava um símbolo de resistência perante o inimigo soviético, e atualmente contra a ameaça terrorista.

"Queríamos visitar o local para mostrar nosso apoio e respeito a todos que perderam suas vidas aqui", explica Jenny, estudante holandesa de 22 anos, que visita a capital alemã coma sua amiga Veerle. "Ficamos surpresas que o mercado já esteja aberto outra vez", declara.

Na segunda-feira (19) à noite, um caminhão atingiu visitantes do mercado natalino próximo à igreja da recordação, um dos símbolos da capital alemã, cujo telhado foi destroçado por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial.

O suposto autor do atentado, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), é um tunisiano de 24 anos, Anis Amri.

A poucos metros dali, alguém colocou uma foto em preto e branco da igreja da recordação em um cavalete. Na imagem está escrito "Estamos em luto" e a seu lado pode-se ler "O amor antes da guerra", escrito em letras coloridas.

A decisão de reabrir rapidamente o mercado de natal se se deu em "estreita organização" com as autoridades, indicaram as empresas organizadoras, depois que a polícia revistou todo o local.

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