Forças iraquianas prestes a lançar ataque ao aeroporto de Mossul

Al-Bousseif, Iraque, 22 Fev 2017 (AFP) - As forças iraquianas se preparam para lançar o ataque ao aeroporto de Mossul, porta de entrada para a parte ocidental da segunda maior cidade do país e o último grande reduto do grupo Estado Islâmico (EI).

Apoiadas pela coalizão internacional sob comando americano, as tropas iraquianas consolidavam suas posições nesta quarta-feira, quatro dias após o lançamento da operação na parte oeste de Mossul.

Seu primeiro objetivo é ocupar o aeroporto em desuso e a antiga base militar adjacente. O controle destes dois locais pavimentaria o caminho para um ataque na periferia sudoeste, perto das margens do rio Tigre, que divide Mossul.

Desde domingo, as forças iraquianas tomaram um importante posto de controle na rodovia que liga Bagdá a Mossul pelo sul, bem como a aldeia de Al-Busseif, com vista para o aeroporto e o sul da cidade.

Comboios militares americanos se dirigiam nesta quarta-feira para esta localidade, constataram jornalistas da AFP. Mas nenhuma grande operação estava prevista por causa da visita dos ministros do Interior e da Defesa na linha de frente.

Os avanços dos últimos dias permitiram a fuga de centenas de civis das aldeias recapturadas. "Cerca de 480 pessoas deslocadas na região de Al-Yarmouk foram transferidas para as zonas libertadas mais ao sul", anunciou a polícia federal.

Militares americanos foram atacados durante os intensos combates em Mossul, reconheceu em Washington um funcionário da coalizão.

Combates em Tal-AfarOs combates continuavam mais a oeste entre os extremistas e o grupo paramilitar Hachd al-Chaabi perto de Tal-Afar, uma cidade ainda sob o controle do EI entre Mossul e a fronteira síria.

Hachd al-Chaabi, uma coalizão composta principalmente de milícias xiitas, anunciou a morte de vários jihadistas e a explosão controlada de pelo menos quatro carros-bomba.

O serviço de elite de combate ao terrorismo (CTS), que desempenhou um papel central na recuperação da parte oriental de Mossul, ainda não foi mobilizado nesta fase da batalha.

Um outro corpo de elite, as Unidades de Intervenção Rápida do ministério do Interior, deve investir contra o aeroporto nos próximos dias.

As tropas deverão, então, enfrentar os extremistas nas ruas estreitas da cidade velha de Mossul, na margem oeste do rio Tigre.

Restam "cerca de 2.000" combatentes extremistas nesta parte, de acordo com um oficial da inteligência americana. O seu número foi estimado entre 5.000 e 7.000 antes da ofensiva iniciada em 17 de outubro.

Ameaças do EI A ONU e as ONGs temem pelas 750.000 pessoas presentes em Mossul ocidental, quase a metade das quais são crianças. Suas condições de vida são cada vez mais precárias nesta área.

"Os combatentes do Daesh controlam todos os hospitais e só eles podem ser tratados", disse por telefone à AFP um funcionário do Hospital Al-Jamhuri de Mossul ocidental, usando um acrônimo em árabe para o EI.

Segundo fontes médicas e habitantes da localidade, os mais fracos começam a morrer de desnutrição e pela falta de medicamentos.

Um mês após a retomada pelas forças iraquianas, a segurança na parte oriental de Mossul permanece precária e vários ataques atingiram áreas "liberadas".

Nesta quarta-feira, moradores encontraram panfletos do EI em suas portas dizendo para "deixarem a cidade o mais rápido possível".

"Se permanecerem expostos à morte serão alvos legítimos" dos combatentes, adverte.

Cerca de 50.000 das 220.000 pessoas deslocadas durante os primeiros meses da ofensiva voltaram para casa. Mas outras continuam fugindo das áreas recentemente recuperadas por medo de represálias.

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