Partido de Merkel vence eleição regional-teste

Saarbrucken, Alemanha, 26 Mar 2017 (AFP) - O partido conservador de Angela Merkel venceu claramente neste domingo a eleição regional no estado de Sarre com ao menos 40% dos votos, o que significa um balde de água fria nas aspirações dos social-democratas.

Os social-democratas ficaram muito longe nesta eleição considerada um teste, com 29/30% dos votos, segundo os canais públicos ARD e ZDF.

A União Democrata Cristã (CDU) de Merkel governa atualmente a região, mas os social-democratas do SPD desejavam reconquistar o governo deste estado, que tem forte tradição operária e do setor de mineração e conta com 1% da população alemã.

As últimas pesquisas apontavam uma leve vantagem da CDU (34% a 37%) sobre o SPD (32%), com o partido de extrema-esquerda Die Linke na terceira posição.

Ao contrário de 2012, o SPD não descartava desta vez uma aliança com o Die Linke e os ecologistas.

Mesmo com uma segunda posição, o Partido Social-Democrata poderia voltar ao poder por meio de uma aliança com o Die Linke, tradicionalmente forte nesta região porque é liderado pelo ex-social-democrata Oskar Lafontaine, que presidiu Sarre entre 1985 e 1998.

Para Merkel, ameaçada nas pesquisas pelos social-democratas, que ganharam novo fôlego com a candidatura à chefia de Governo de Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, esta eleição era um teste importante.

A hipótese de uma derrota eleitoral da chanceler parecia impensável há alguns meses, apesar das críticas a sua política migratória. Mas a entrada no cenário de Schulz - que em tempo recorde remobilizou a esquerda -, mudou a situação.

Os resultados da eleição para o Parlamento regional de Sarre dão uma primeira ideia de sua capacidade real de abalar Angela Merkel, que está há 12 anos no poder, nas legislativas de 24 de setembro.

Sarre também dá o tiro de largada do ano eleitoral, antes de outras duas eleições regionais em maio, na Renânia do Norte-Westfália (oeste), o estado mais populoso, e em Schleswig-Holstein (norte).

Schulz rompeu com a linha centrista de seu partido e faz claramente uma campanha esquerdista sobre temas sociais. Isso permitiu ao SPD um aumento nas intenções de voto jamais vista em um período de tempo tão curto.

O SPD estava a 15 pontos da CDU de Merkel em janeiro, mas antes da votação aparecia empatado em nível nacional com cerca de 30% das intenções de votos.

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