Greve geral contra reformas atinge transporte público no Brasil

São Paulo, 28 Abr 2017 (AFP) - A greve geral convocada para esta sexta-feira atingia principalmente o transporte público, as escolas e de forma parcial os aeroportos, em um dia de protestos contra as reformas previdenciária e trabalhista do presidente Michel Temer que registrou alguns confrontos entre manifestantes e a polícia.

Nas primeiras horas do dia, manifestantes bloquearam ruas nas principais cidades do país como um prelúdio das manifestações convocadas pelas maiores centrais sindicais em protesto contra as reformas.

Ambas as iniciativas estão em votação no Congresso como parte do programa do governo para tentar tirar o Brasil da pior recessão da história, que elevou o desemprego a um recorde de 13,7%, atingindo 14,2 milhões de pessoas, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Hoje Temer não governa. Quem está governando todo o Brasil é a classe trabalhadora", publicou em seu site a Central Única de Trabalhadores (CUT), ligada à esquerda, junto a muitas fotos que mostravam grupos de ativistas com cartazes e bandeiras da organização sindical em diferentes partes de São Paulo.

Para o governo, a paralisação é um fracasso. "Estão obstruindo as pessoas que chegam para trabalhar. Em uma primeira análise, isso evidencia que é uma greve que não existe. É mais uma greve de sindicatos perturbados com as decisões do Congresso", afirmou o ministro da Justiça à rádio CBN.

Em São Paulo, foram registrados alguns confrontos entre manifestantes que obstruíram vias importantes da cidade e a polícia, gerando congestionamentos, informaram meios de comunicação locais.

"Não podemos mais ficar calados com um governo que não é legítimo, que não foi escolhido, que promove uma desarticulação dos direitos dos trabalhadores e do povo brasileiro", disse Ricardo Jacques, um funcionário bancário em greve nesta cidade.

Metalúrgicos, petroleiros, funcionários de hospitais e dos correios também anunciaram sua adesão ao protesto, que, segundo a CUT, será um dos maiores desde o retorno da democracia, em 1984.

Altamente impopular, Temer substituiu em 2016 a presidente Dilma Rousseff, do PT, que foi alvo de um impeachment acusada de maquiar as contas públicas.

Dilma havia sucedido Luis Inácio Lula da Silva (2003-2010), atualmente investigado por corrupção no escândalo da Petrobras, que também atinge grande parte do gabinete de Temer e dezenas de legisladores de todo o espectro político.

- Congresso protegido -O aeroporto doméstico de São Paulo, Congonhas, registrou doze voos cancelados e cinco atrasos de um total de 124 previstos, mas a empresa que o administra não soube informar se os transtornos têm relação direta com a greve.

No terminal internacional de Guarulhos, das 157 chegadas e 124 partidas foram registrados apenas 18 atrasos "por motivos diversos", explicou um assessor de imprensa, afirmando que até o momento "não foram registrados impactos da greve".

O aeroporto de Brasília registrou nove atrasos e três cancelamentos dos 80 voos previstos nesta manhã, devido às paralisações, informou o terminal aéreo.

A capital do país amanheceu sem serviços de ônibus e metrô. Os edifícios do Congresso e da Presidência, na Esplanada dos Ministérios, foram cercados desde a madrugada por uma grande operação policial para impedir invasões durante os protestos previstos ao longo do dia.

O governo acompanha de perto uma greve à qual se somaram alguns de seus aliados, como Paulo Pereira da Silva, presidente da central Força Sindical. O dirigente, que também é deputado do Solidariedade, partido da base aliada de Temer, ameaça passar à oposição se as reformas forem aprovadas sem modificações.

A Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) se somou às críticas e convocou uma mobilização contra a reforma da previdência, que pretende estender os períodos de contribuição e a idade mínima de aposentadoria para ter direito a uma pensão completa.

Os sindicatos intensificaram neste ano as manifestações, com dois dias de protestos, em 15 e 31 de março.

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