Investigação sobre ataque de Manchester avança com novas detenções

Manchester, Reino Unido, 25 Mai 2017 (AFP) - A investigação sobre o ataque de Manchester avançava rapidamente nesta quinta-feira, com oito homens sob custódia, enquanto a polícia antiterrorista lamentava os vazamentos na imprensa americana que "atrapalham" seus esforços.

Na Trafalgar Square, no coração de Londres, e em toda a Manchester, os britânicos observaram um minuto de silêncio em memória das 22 vítimas, incluindo crianças e adolescentes. Na St. Ann Place, uma multidão cantou "Don't look back in anger" do grupo local Oasis.

"Todos nós estamos de luto. É como se nossos próprios familiares tivessem morrido", declarou à AFP Carmel McLaughlan, de 69 anos.

Em uma demonstração de solidariedade, os clubes de futebol Manchester City e Manchester United anunciaram que vão doar um milhão de libras (1,15 milhão de euros) ao fundo de emergência criado para ajudar as vítimas.

Já a rainha Elizabeth II visitou os feridos nesta quinta-feira de manhã vestindo cores brilhantes, tailleur azul royal e chapéu laranja. Vinte feridos permanecem em tratamento intensivo.

Vazamentos na imprensaExasperada com os vazamentos sobre a investigação na imprensa americana, a primeira-ministra britânica, Theresa May, discutiu a questão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na cúpula da Otan nesta quinta-feira em Bruxelas.

O presidente americano garantiu em um comunicado que vai buscar os autores desses vazamentos, reafirmando a "relação especial dos Estados Unidos com o Reino Unido". Trump também pediu um minuto de silêncio durante a cúpula da Aliança Atlântica para as vítimas do atentado.

Seu secretário de Estado, Rex Tillerson, fará sua primeira visita a Londres na sexta-feira para expressar "sua solidariedade".

Nesta quinta-feira de manhã, duas novas detenções foram realizadas na aglomeração de Manchester (noroeste da Inglaterra), em conexão com o ataque cometido na segunda-feira à noite ao final de um show da cantora pop americana Ariana Grande, que deixou 22 mortos e 75 feridos, de acordo com um balanço atualizado.

O atentado foi cometido por Salman Abedi, um britânico de origem líbia de 22 anos, e reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Após o reforço do estado de alerta para o nível "crítico", que significa um risco iminente de ataque terrorista, a tensão continuava visível no país. Uma equipe do esquadrão antibomba foi enviada ao sul de Manchester após "ter recebido uma ligação" sobre um pacote suspeito, que rapidamente foi constatado que não representava perigo.

Em contrapartida, a polícia assegurou que o perfil dos homens detidos desde segunda-feira era "interessante" e que as buscas continuavam nesta quinta-feira.

A polícia antiterrorista lamentou a "divulgação não autorizada" de informações, particularmente nos Estados Unidos, sobre o ataque, considerando que "atrapalhava" a investigação.

Imagens da polícia britânica reproduzidas pelo New York Times mostram um detonador que o homem-bomba teria segurado com sua mão esquerda, peças de metal e parafusos no chão manchado de sangue, bem como fragmentos de uma mochila azul.

Estes elementos, analisados por especialistas entrevistados pelo jornal, permitem afirmar que a bomba era "potente, dotada de uma carga ultra-rápida, mas também que os pedaços de metal foram colocados cuidadosamente e metodicamente" para causar um dano máximo.

Nesta quinta-feira, a BBC afirmou que a polícia de Manchester havia parado de fornecer informações sobre a investigação às autoridades americanas.

Desejo de vingançaEm Trípoli, capital da Líbia, os serviços de segurança líbios detiveram na terça-feira um irmão do suicida, Hashem, e na quarta-feira seu pai, Ramadan Abedi.

Hashem, que afirmou pertencer ao EI, "estava ciente do projeto" de seu irmão e admitiu ter estado presente na Grã-Bretanha na fase de preparação do ataque, de acordo com a Força de Dissuasão, que atua como força policial leal ao Governo de União Nacional (GNA).

Já o pai foi membro do Grupo Islâmico Combatente Líbio (GICL), muito ativo nos anos 1990, segundo indicou à AFP uma autoridade da segurança em Trípoli.

Perseguido pelo regime de Muammar Kadhafi, como os outros membros do GICL, Ramadan Abedi se refugiou na Grã-Bretanha antes de retornar ao seu país em 2011 para combater ao lado dos rebeldes as forças do ditador líbio durante a revolta iniciada naquele ano, segundo a imprensa britânica.

O GNA garantiu que "coopera estritamente" com as autoridades britânicas.

A investigação aponta "claramente" para uma rede ao redor do suicida, que nasceu nesta cidade, segundo afirmou na quarta-feira o chefe da polícia de Manchester, Ian Hopkins.

E sobre o suicida, o quebra-cabeça começa a ser montado sobre sua personalidade. Nascido em Manchester, ele teria visitado recentemente a Líbia antes de retornar à Grã-Bretanha quatro dias antes do ataque.

Ele era "muito distante", disse à AFP um porta-voz da comunidade líbia de Manchester, Mohamed Fadil.

"As pessoas sabiam que ele tinha problemas de comportamento, não era respeitoso ou educado, mas sim introvertido e muito esquisito. Na comunidade dizia-se que ele bebia álcool e fumava erva", assegurou.

Um dos motivos de Abedi pode ter sido o desejo de vingança pela morte em maio de 2016 de um amigo que foi apunhalado por um grupo de jovens britânicos, segundo um parente em Trípoli.

De acordo com os meios de comunicação britânicos, o suposto amigo de Salman, Abdul Wahab Hafidah, foi perseguido e depois assassinado por um grupo de jovens, cujo julgamento está em curso.

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