China procura desaparecidos após deslizamento de terra que deixou 10 mortos

Diexi, China, 25 Jun 2017 (AFP) - As equipes de emergência trabalhavam neste domingo em busca de possíveis vítimas entre os escombros do vilarejo de Xinmo, no sudoeste da China, sepultado pelas rochas, onde 10 pessoas morreram e 93 continuam desaparecidas, segundo um balanço revisado pelas autoridades.

O deslizamento de terra no sábado, após fortes chuvas, sepultou as casas do típico vilarejo de montanha, que fica próximo a um rio na província de Sichuan.

As equipes de resgate só conseguiram encontrar três sobreviventes, um casal e seu bebê de um mês.

O vilarejo fica no município autônomo tibetano de Aba e, segundo a agência oficial Xinhua, que cita os geólogos que trabalham no local, as possibilidades de encontrar sobreviventes são "realmente pequenas".

Qiao Dashi, o pai do bebê resgatado, explicou que levantou às 5H00 para trocar a fralda do filho quando ouviu um "grande barulho".

A casa tremeu", explicou em entrevista ao canal estatal CCTV.

"Fomos arrastados. As rochas chegaram até a nossa sala. Minha mulher e eu conseguimos escalar, pegamos o nosso bebê e nos resgataram", disse.

"Tenho ferimentos superficiais. De modo geral estou bem, mas psicologicamente é duro. Todo o vilarejo, dezenas de famílias ficaram sepultadas", afirmou.

Neste domingo, máquinas eram utilizadas para retirar escombros e rochas. Os bombeiros, com o auxílio de cães farejadores, trabalharam a noite toda para tentar encontrar vítimas.

- 'Coração partido' -Quase 3.000 socorristas participam nas tarefas de resgate, segundo a Xinhua. Os escombros sepultaram um rio e bloquearam dois quilômetros de estrada em uma zona de difícil acesso.

Nas imagens aéreas, o vilarejo é praticamente invisível e o rio é apenas uma mancha cinza coberta por rochas.

Em Diexi, uma cidade próxima, Yang Cangwin, que cultiva maçãs e milho, conhecia todos os moradores de Xinmo.

"É muito difícil imaginar que algo assim tenha acontecido, quando as pessoas estavam dormindo em suas camas. É horrível", disse.

"Perdi o contato com todos os meus amigos. Muitos foram observar, começamos a chorar, estamos de coração partido", completou.

As redes sociais também acompanhavam neste domingo o destino de um cão branco que parecia procurar o dono entre os escombros e se negava a sair do local, de acordo com imagens exibidas pelo canal CGTN.

Os habitantes de Xinmo eram agricultores que cultivavam milho, pimenta e batatas. Alguns haviam criado um albergue para turistas.

O vice-governador da província, Xu Zhiwen, afirmou que 142 turistas estavam no vilarejo na sexta-feira, mas nenhum deles foi atingido pela tragédia.

O presidente Xi Jinping pediu às equipes de emergência que "não poupem esforços" para encontrar sobreviventes.

De acordo com a Xinhua, mais de 100 pessoas estão sendo retiradas da região.

"Este é o deslizamento de terra mais importante na região desde o terremoto de Wenchuan", disse Wang Yongbo, coordenador local dos resgates, em referência ao terremoto que deixou 87.000 mortos em maio de 2008.

No Vaticano, o papa Francisco expressou solidariedade com as vítimas e rezou "pelos mortos, os feridos e os que perderam sua casa".

Os deslizamentos de terra representam um perigo constante nas zonas rurais e montanhosas da China, especialmente durante a temporada de chuvas

Ao menos 12 pessoas morreram em janeiro em um deslizamento que destruiu um hotel da província de Hubei (centro).

Mais de 70 pessoas morreram em um deslizamento de terra em uma zona industrial de Shenzhen em dezembro de 2015, neste caso provocado pelo acúmulo inapropriado de lixo.

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