Deputados suecos processam presidente turco por 'genocídio' nas regiões curdas

Estocolmo, 10 Jul 2017 (AFP) - Parlamentares suecos acionaram a Justiça de seu país contra o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, nesta segunda-feira (10), acusando-o de "genocídio" nas regiões curdas após a retomada, em 2015, dos combates entre o Exército e os separatistas.

Cinco deputados do Partido Ecologista e do Partido de Esquerda apresentaram uma queixa perante a Câmara Internacional do Ministério Público em Estocolmo por "genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra", informou a deputada ecologista Annika Lillemets, em uma coletiva de imprensa.

Essa queixa "envolve o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e muitos de seus ministros", incluindo o premiê e os ministros do Interior e da Defesa, acrescentou.

Citando relatórios do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (OHCHR) e da ONG Anistia Internacional, os deputados suecos afirmam que "grandes partes do Curdistão turco sofreram agressão militar e destruição por parte do Estado/Governo da Turquia" entre julho de 2015 e dezembro de 2016.

No informe publicado em março, o OHCHR condena as "execuções extrajudiciais e o uso excessivo da força" e afirma ter identificado "inúmeros casos de desaparecimentos, tortura, destruição de casas e do patrimônio cultural".

Carl Schlyter, deputado ecologista, disse esperar que outros parlamentares europeus sigam o exemplo.

"Se (Erdogan) for impedido de viajar pela Europa e de influenciar os países europeus como quer, espero que isso tenha um efeito sobre sua política", argumentou.

O Ministério Público confirmou o recebimento do processo.

"A polícia vai analisar a queixa, e vamos decidir se abriremos uma investigação preliminar", indicou à AFP um representante da Chancelaria.

O sudeste da Turquia é palco de um conflito entre os separatistas curdos e Ancara, no qual mais de 40 mil pessoas já morreram desde 1984. Os combates recomeçaram em 2015, depois do fim de uma trégua que significou o encerramento das negociações de paz com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

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