Curdistão iraquiano à espera da vitória no referendo separatista
Erbil, Iraque, 26 Set 2017 (AFP) - O Curdistão iraquiano espera nesta terça-feira um "sim" em massa no referendo sobre sua independência, realizado na véspera, mas o governo central do Iraque prepara sua resposta em meio a fortes tensões na região.
A votação, promovida pelo presidente curdo, Massoud Barzani, aconteceu na região autônoma do Curdistão (norte do Iraque), que inclui as províncias de Erbil, Solimaina e Duhok, assim como nas zonas que os curdos disputam com o governo central iraquiano.
O resultado deve ser anunciado nesta terça-feira, embora as expectativas não deixem dúvidas: a maioria dos 5,3 milhões de inscritos são a favor da independência.
Barzani esclareceu, contudo, que o referendo não levará a uma declaração de independência imediata, mas que marcará o início de "discussões sérias" com Bagdá para resolver os contenciosos.
Mais de 3,3 milhões de pessoas, 72% dos eleitores, votaram, segundo o porta-voz da Comissão Eleitoral, Sherwan Zarar.
Diante da situação, o Parlamento de Bagdá votou uma resolução "exigindo que o comandante em chefe do Exército (o primeiro-ministro Haider al-Abadi) enviasse forças para todas as áreas" controladas pelos curdos após a invasão americana de 2003 e a queda do ditador Saddam Hussein.
Constitucionalmente, o Governo é obrigado a acatar esta decisão.
As áreas em disputa então localizadas fora da região autônoma do Curdistão: a rica província petrolífera de Kirkuk e setores de Nínive (norte), Dyala e Saladin (ao norte de Bagdá).
A maioria destas áreas foram conquistadas pelos combatentes curdos peshmergas em 2014, aproveitando-se do caos causado pela ofensiva do grupo extremista Estado Islâmico (EI).
Países vizinhos como Turquia e Irã, preocupados se suas minorias curdas seguirão o mesmo exemplo, também ameaçaram com represálias.
A pedido do Iraque, o Irã proibiu os voos para o Curdistão iraquiano. Na segunda-feira, anunciou o próximo fechamento das fronteiras terrestres com o Curdistão, ainda sem concretizar.
Os Estados Unidos advertiram que um referendo de independência "aumentará a instabilidade".
"Os Estados Unidos estão profundamente desapontados com o fato de o Governo Regional do Curdistão ter decidido conduzir hoje um referendo unilateral sobre a independência, inclusive em áreas fora da Região do Curdistão do Iraque", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em um comunicado.
"O relacionamento histórico dos Estados Unidos com o povo da Região do Curdistão iraquiano não mudará com o referendo não vinculante de hoje, mas acreditamos que este passo aumentará a instabilidade e dificuldades para a região do Curdistão e seu povo".
Em Nova York, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se declarou "preocupado" com o risco de desestabilização e fez um chamado ao "diálogo e aos compromissos".
Divididos entre Iraque, Síria, Irã e Turquia, os curdos nunca aceitaram o tratado de Lausanne de 1923, o qual os deixou sem um Estado independente.
bur-sf/sk/vl/gk/me/mb/cn
A votação, promovida pelo presidente curdo, Massoud Barzani, aconteceu na região autônoma do Curdistão (norte do Iraque), que inclui as províncias de Erbil, Solimaina e Duhok, assim como nas zonas que os curdos disputam com o governo central iraquiano.
O resultado deve ser anunciado nesta terça-feira, embora as expectativas não deixem dúvidas: a maioria dos 5,3 milhões de inscritos são a favor da independência.
Barzani esclareceu, contudo, que o referendo não levará a uma declaração de independência imediata, mas que marcará o início de "discussões sérias" com Bagdá para resolver os contenciosos.
Mais de 3,3 milhões de pessoas, 72% dos eleitores, votaram, segundo o porta-voz da Comissão Eleitoral, Sherwan Zarar.
Diante da situação, o Parlamento de Bagdá votou uma resolução "exigindo que o comandante em chefe do Exército (o primeiro-ministro Haider al-Abadi) enviasse forças para todas as áreas" controladas pelos curdos após a invasão americana de 2003 e a queda do ditador Saddam Hussein.
Constitucionalmente, o Governo é obrigado a acatar esta decisão.
As áreas em disputa então localizadas fora da região autônoma do Curdistão: a rica província petrolífera de Kirkuk e setores de Nínive (norte), Dyala e Saladin (ao norte de Bagdá).
A maioria destas áreas foram conquistadas pelos combatentes curdos peshmergas em 2014, aproveitando-se do caos causado pela ofensiva do grupo extremista Estado Islâmico (EI).
Países vizinhos como Turquia e Irã, preocupados se suas minorias curdas seguirão o mesmo exemplo, também ameaçaram com represálias.
A pedido do Iraque, o Irã proibiu os voos para o Curdistão iraquiano. Na segunda-feira, anunciou o próximo fechamento das fronteiras terrestres com o Curdistão, ainda sem concretizar.
Os Estados Unidos advertiram que um referendo de independência "aumentará a instabilidade".
"Os Estados Unidos estão profundamente desapontados com o fato de o Governo Regional do Curdistão ter decidido conduzir hoje um referendo unilateral sobre a independência, inclusive em áreas fora da Região do Curdistão do Iraque", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em um comunicado.
"O relacionamento histórico dos Estados Unidos com o povo da Região do Curdistão iraquiano não mudará com o referendo não vinculante de hoje, mas acreditamos que este passo aumentará a instabilidade e dificuldades para a região do Curdistão e seu povo".
Em Nova York, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se declarou "preocupado" com o risco de desestabilização e fez um chamado ao "diálogo e aos compromissos".
Divididos entre Iraque, Síria, Irã e Turquia, os curdos nunca aceitaram o tratado de Lausanne de 1923, o qual os deixou sem um Estado independente.
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