Colômbia tem aniversário pouco feliz do acordo de paz com as Farc

Bogotá, 24 Nov 2017 (AFP) - Um ano depois, os protagonistas de um histórico acordo de paz se reencontra e não exatamente para comemorar a data.

O acordo que desarmou o país e a guerrilha mais poderosa da América vive momentos de tensão em seu primeiro aniversário.

O presidente Juan Manuel Santos e o chefe do agora partido de esquerda, Rodrigo Londoño, voltarão nesta sexta-feira ao Teatro Colón de Bogotá, onde, há um ano, assinaram o acordo que acabou com as Farc como guerrilha, depois de um confronto de meio século que deixou milhares de vítimas entre mortos, desaparecidos e deslocados, e que envolve outros grupos armados.

Londoño, que sofreu em julho um AVC leve, pediu a Santos uma reunião urgente para tratar da falta de cumprimento por parte do Estado da implementação do acordo negociado por quatro anos em Havana e que sobreviveu à negativa em um referendo.

"Ventos de temporal sopram sobre o processo de paz e consideramos urgente achar saídas razoáveis", alertou Londoño, também conhecido como Timochenko, em uma carta aberta a Santos.

Sem o entusiasmo de há um ano, o presidente e o ex-chefe guerrilheiros se encontrarão no ato de comemoração organizado por grupos sociais.

"Eu disse desde o início que este processo ia ser muito difícil, e certamente haverá críticas de um lado e do outro", defendeu-se Santos, que deixará o poder em agosto.

De uma média anual de 3.000 mortos, caíram a 78 este ano, segundo a estatal Unidade de Vítimas. "A gente se esquece de como era antes", explicou Santos em uma reunião celebrada na quinta-feira com correspondentes estrangeiros.

Nascido há 66 anos em uma família da elite de Bogotá, Santos mobilizou esforços para silenciar os fuzis na Colômbia, que deixou quase oito milhões de vítimas entre mortos e desaparecidos. Seu ativismo lhe rendeu o Nobel da Paz-2016.

O pacto significou a entrega de 9.000 armas nas mãos de 7.000 combatentes, um processo que finalizou em meados de agosto com o aval das Nações Unidas.

Pelo caminho foram anistiados mais de 10.000 ex-guerrilheiros, mil deles ainda presos, segundo a organização.

"Tramitamos 94 normas, das quais sete são reformas constitucionais", disse. Segundo a Fundação Paz e Reconciliação, apenas oito das 27 leis necessárias para "tornar a paz realidade" foram aprovadas.

Com uma maioria governista instável no Congresso, seu governo persiste em uma maratona legislativa para aprovar as leis estruturais do acordo, entre elas a que regulamenta o sistema de justiça que julgará ex-guerrilheiros e militares.

"Fico preocupado que as pessoas percam a esperança na paz". "Alguns veem o copo meio cheio, outros, meio vazio. No governo o vemos meio cheio".

"Em todo o processo de paz, passam da guerra à política". "Estamos inovando para que seja compatível a Justiça com a participação política". "É uma justiça para máximos responsáveis, apenas os máximos responsáveis serão sancionados, os outros serão anistiados". "Olhe o que aconteceu na Bósnia, levou 22 anos (para que houvesse justiça). Aqui um ano depois haverá justiça", concluiu.

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