PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Vice-primeira-ministra irlandesa renuncia para salvar governo de eleições

28/11/2017 12h45

Dublin, 28 Nov 2017 (AFP) - A vice-primeira-ministra irlandesa renunciou nesta terça-feira, informou a televisão pública RTE, em resposta à exigência da oposição para não derrubar o governo quando o futuro da fronteira com o Ulster for resolvido em Bruxelas.

A renúncia de Frances Fitzgerald aconteceu poucas horas depois de o Parlamento votar a moção de censura contra o governo de Leo Varadkar pelo envolvimento de Fitzgerald em um escândalo policial, e que teria sido traduzido em eleições antecipadas.

A moção foi apresentada pelo partido Fianna Fáil, grande rival histórico do partido de Varadkar, o Fine Gael, apesar a ser ambos de centro-direita.

Sem chegar a se juntar ao governo, o partido da oposição aceitou que Varadkar governasse com minoria, concedendo desde 2016 estabilidade parlamentar.

O Fianna Fail acusava Fitzgerald de ter estado à frente de uma campanha para desacreditar um policial que desvendou um escândalo na corporação.

Varadkar disse que não pensava em oferecer o cargo de Fitzgerald, embora tenha aceitado sua demissão, e nos últimos dias se reuniram diariamente com seu rival Micheal Martin, líder do Fianna Fáil, para flexibilizar posições.

"Tentamos encontrar um compromisso que permita ao governo continuar com um trabalho importante que nos espera", disse Varadkar.

Entretanto, o surgimento de novos documentos sobre o papel da vice-primeira-ministra no escândalo obstaculizavam uma saída pactuada.

"Nossa posição não mudou, tem que ir embora", reiterou o porta-voz de Justiça do partido opositor, Jim O'Callaghan.

A crise coincide com as negociações de saída do Reino Unido da União Europeia. Um dos três temas principais nas negociações é o futuro da fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a própria Irlanda.

O tema estará no topo da agenda da cúpula europeia de 15 de dezembro.

Dublin não quer ver o retorno dos postos fronteiriços que eram parte da paisagem dos anos de chumbo do conflito norte-irlandês, e que podem prejudicar a economia da ilha da Irlanda.

jla-al/mb/cc

Internacional