Líbia permitirá retirada de migrantes após escândalo por escravidão

Abidjan, 30 Nov 2017 (AFP) - A Líbia aceitou nesta quarta-feira a retirada de emergência dos migrantes vítimas de traficantes de pessoas, após um acordo entre dirigentes de nove países europeus e africanos, com a participação da ONU, da União Europeia e da União Africana, anunciou o presidente francês.

Esta decisão foi tomada durante "uma reunião com a UE, a UA, a ONU, Alemanha, Itália, Espanha, Chade, Níger, Líbia, Marrocos e Congo", afirmou Macron à imprensa, à margem da cúpula Europa-África em Abidjan.

Depois do escândalo internacional gerado pela difusão de imagens de um mercado de escravos na Líbia, a imigração se tornou o tema central da cúpula.

Na reunião, solicitada pela França, os dirigentes "decidiram uma ação de extrema urgência para evacuar da Líbia quem quiser ser evacuado", acrescentou.

"A Líbia reiterou seu acordo para identificar os acampamentos onde foram cometidos atos bárbaros. O presidente Sarraj deu seu aval para que se garanta o acesso", informou.

"Se decidiu por parte da UE, da UA e das Nações Unidas um apoio crescente à OIM (Organização Internacional de Migrações) para ajudar o retorno dos africanos que quiserem a seus países de origem.

A União Africana vai instaurar uma investigação, disse Macron. Segundo o presidente francês "é indispensável reconstituir um Estado que seja perenne" na Líbia.

- 'Promessas vazias' -Na abertura da cúpula, o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, alertou os jovens para que "não se lancem em uma aventura que coloque suas vidas em risco".

Na África, cerca de 60% da população tem menos de 25 anos, e centenas de milhares de jovens desesperados pelo desemprego, pela pobreza e pela ausência de perspectivas em seus países, apesar das invejáveis taxas de crescimento de alguns deles, tentam emigrar para a Europa anualmente.

"Essa cúpula deve ser o ponto de partida de uma ação determinada contra esta tragédia" da imigração e suas consequências, disse o presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki.

A Anistia Internacional pediu aos dirigentes africanos que "acordem".

"Há anos que denunciamos como os migrantes na Líbia são vítimas de detenção arbitrária, de tortura, estupros e exploração", disse a organização.

A diretora para África da organização não governamental ONE, fundada pelo cantor Bono, pediu a dirigentes da UA e da UE que investam no desenvolvimento de longo prazo.

"As promessas vazias não vão criar os 22 milhões de novos empregos que a África precisa a cada ano", disse.

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