Vargas Llosa diz que indulto a Fujimori foi "traição de Kuczynski"

Lima, 31 dez 2017 (AFP) - O Nobel de Literatura peruano Mario Vargas Llosa qualificou neste domingo como uma "traição" de Pedro Pablo Kuczynski o indulto concedido há uma semana ao ex-presidente Alberto Fujimori, apontando a uma quebra das promessas eleitorais do atual chefe de Estado.

"A traição de Kuczynski permitirá que o fujimorismo se converta no verdadeiro governo do país", afirmou o escritor em sua coluna "Piedra de Toque" publicada nos jornais peruano La República e espanhol El País.

Vargas Llosa lembrou que Kuczynski, um ex-banqueiro de Wall Street de centro-direita, que venceu as eleições no Peru "graças a todas as forças democráticas que votaram nele, incluída a esquerda, acreditando em sua firme e repetida promessa de que, se chegasse ao poder, não haveria indulto para o ex-ditador" de 79 anos.

No artigo "A traição de Kuczynski", Vargas Llosa critica o mandatário por "ter negociado um sujo cambalacho" com os Fujimori: "o indulto presidencial por razões humanitárias em troca dos votos que evitaram defenestração".

O escritor referiu-se, nesse trecho, à surpreendente divisão na bancada fujimorista no dia 21 de dezembro quando o Congresso afastou a possibilidade de destituição por ter mentido sobre seu envolvimento com a construtora Odebrecht.

Fujimori (1990-2000) cumpria há 12 anos uma condenação de 25 anos por delitos de crime contra a humanidade. Ele está hospitalizado desde 23 de dezembro, quando foi transferido da prisão a uma clínica onde trata dua hipotensão e arritmia cardíaca.

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